terça-feira, 5 de outubro de 2010

O que realmente importa

Sinceramente não queria nem saber de nada sobre tudo aquilo que contou durante horas em um monólogo interminável. Não que seja desinteresse, despeito ou qualquer bom outro motivo que, por ora, possa justificar tamanho desprezo. Bem verdade, não quero saber de nada sobre ninguém quando narrado em tom de proeza invejável. Cada um tem uma história, e cada história tem toda uma grandeza, mesmo aquelas mais curtas. Não quero saber de nada que reluz porque perdido está e busca um ponto para, de algum modo, se encontrar.

Não importam as línguas que fala, quantas ou quais ainda quer aprender. Não me interessam nem mesmo aquelas que, em devaneios, pretende um dia inventar. Nem despertam vontades nenhuma também as pessoas que encontrou e os sotaques, das várias línguas que fala, que já ouviu, quantos sorrisos recebeu ou quantos retribuiu, nem quantos lábios, uma vez que as contas perdeu, durante toda essa vida breve já beijou.

Pode parecer egoísmo, e talvez seja, mas nunca quis saber muito, nem depressa. O encantamento se dilui. Diante dessa opacidade, nada se entende nem nada quero. Porque, sendo cético, pouco, ou nenhum, sentido se vê no misticismo, a religiosidade ou no suposto fascínio de terras distantes. Simples, o encantamento está no ser.

Quando é tão humano, e se tem consciência, o deslumbramento para se decai. Tão humano, pouco importa quantos livros leu, quais músicas ouviu, a quais já filmes assistiu. A vida não é um balanço contábil, porque repertórios são diversos. Experiências servem para projetar, quase nada significa quando se foi, mas vale aquilo que logo mais se fará. Por isso, acredite, qualquer história, seja grandiosa ou minúscula, só me causará encantamento quando tiver a capacidade de me fazer sorrir. Só assim faz sentido, e, enfim, para mim, surgem os encontros da vida.