sexta-feira, 18 de junho de 2010

Luto

Uma despedida inevitável. Uma vida gloriosa. Uma marca no mundo.
Obrigado.

Em limite

Deu dois passos. Deu outro. Parou porque tinha medo de seguir. Caminhar, enfrentar o momento seguinte e, enfim, encontrar o porvir eram tarefas difíceis para um sujeito tão fraco. Não tinha medo, mas também não tinha coragem. Faltava-lhe desejo, vontade, querer mudar o presente, rever o passado e projetar um futuro pleno de confiança, projetos e ambição. Era, por isso, uma derrota. Sabia, desde sempre, não passar de um limitado, mas, como todo pretensioso, ensaiava, fechado em si mesmo, gestos de expansão. Quando "bem-sucedido", conseguia agregar outros sujeitos - mas somente os pequenos - ao seu circunscrito terreno de glória. Em ilusão, sentia-se, por fim, mais feliz.

A ausência dos bons

Infelizmente a gente tem de se acostumar a viver com saudade.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

Reedição

Lamentável, mas gente boba existe em tudo quanto é lugar. Inevitáveis e desagradáveis, elas insistem em marcar presença. Fazem-se notar. Elas são escandalosas, exageradas, espalhafatosas e cansadamente redundantes, como este texto. Sim, são enfadonhas. Sofrem de crises de euforia, de disforia, de ansiedade, de tranqüilidade, de auto-estima elevada, de auto-estima baixa, de amor, de ódio, de estresse e de tédio. São cíclicas e insconstantes. Riem e, quando podem, gargalham para provar um estado de felicidade plena. Inexistente. Gente boba não necessariamente age como abobalhado. Nem sempre é chata. Às vezes, com muito esforço, consegue fazer o mundo rir, por graça ou, aos mais críticos, por dó. Gente boba, na boa, esvazia, deixa a bola murcha. Elas emburrecem. São esforçadas, tentam aprender (ou pensam tentar), mas, limitadas, conseguem apenas subtrair e dividir. Gente boba, uma pena, não adiciona nem multiplica. Elas são só resultados infinitos de extração de raiz quadrada. Nunca se elevam à potência, ao quadrado, cubo. Não. Acreditam, no entanto, ter potencial. Por isso, têm confiança, pretensão, arrogância. Gente boba não é burra. Quando cheias de si, elas ludibriam e, se deixar, crescem, mesmo tão pequenas, para cima de ti. Como gente boba cresce em cima de gente burra, o mundo está aí ó, desse jeito: torto, bobo e burro.

sábado, 5 de junho de 2010

Muito bom!

Mo Fantástico: http://mandesuafoto.fantastico.globo.com/vcnoclipe/vcnoclipePreview.php?preview=1&imagem=144%2F1275746279.jpg

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Real

De volta ao mundo real.

Mundo mais verde

Uma surpresa na sala. Obrigado, Lu.

Proteção, valores, referências

A um grande amigo de terras frias,

Quando criança, as chuvas que caíam no Paraná me assustavam. Não é que não chovesse em São Paulo, não que não tivesse medo dos temporais de São Bernardo. Sim, tinha medo. Aliás, tenho medo até hoje.

No Paraná, porém, o medo era bem maior. De longe, avistávamos as nuvens carregadas, num tom cinza quase preto e a espessura densa dessas nuvens era rasgada por raios que cortavam o céu de cima em baixo numa velocidade estonteante, era impossível acompanhá-los. E essa força dava medo.

As brincadeiras de rua cessavam imediatamente quando os primeiros sinais da tempestade eram avistados. Minha avó logo tratava de colocar os netos em casa, para protegê-los, e acabava com a alegria de todos, sem dó. Quando ela falava, não tinha como retrucar, nota zero para a argumentação. Fim da linha: “Bora pra dentro porque vai cair um toró”. Não tinha nem choro nem ranger de dentes que fazia minha avó ceder. Fim de jogo, baby.

As nuvens, aquelas carregadas, chegavam agitadas, faziam um barulho danado. Minha avó dizia que as nuvens que vinham de Cruzeiro do Sul traziam chuvas mais fortes e que, quando as nuvens vinham de Maringá, eram chuvas mais tranquilas. Não sei se é verdade, mas as chuvas de Cruzeiro eram sempre mais violentas. De posse dessa informação, eu ficava parado na janela da cozinha sempre à espera do pior.

As chuvas costumavam ser implacáveis. Destelhavam casas, as pedras destruíam plantações, arrancavam do chão árvores e mais árvores, daquelas bem grandes que eu adorava e nunca via em São Paulo. Meu medo maior era que a casa de minha avó, como é até hoje, era de madeira. Ela, sábia como é, sempre garantiu que sua casa tem proteção, porque é feita de “madeira maciça”.

Naqueles dias de chuvas, envolto por madeira maciça e por zelo de avó, longe dos pais, sem amigos, rodeado de primos, ia construindo o significado, tão só meu, da palavra proteção. Para me proteger, proteger os netos, eram palavras de coragem que ela soltava. O semblante era de serenidade, não havia motivo para pânico, embora o mundo pudesse acabar em água lá fora.

A partir dali, daquela tranquilidade da minha avó diante do pânico da vida, descobri que aqueles que gostam da gente dizem tudo, palavra por palavra, como ocorreu hoje, apenas para construir uma casa de “madeira maciça” para a gente se abrigar. Lá, estendem uma mão, servem chá quente, oferecem um cobertor para aquecer as pernas e os pés. É proteção.

Passada a tempestade, abrem a porta, como fazia minha avó, e oferecem, sempre felizes e grandiosos que são, um mundo inteiro no qual a gente pode e deve, mais uma vez, sendo a gente mesmo, brincar.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Hoje

Dia de renascimento.
Dia de reencontro.
Dia de paz.