terça-feira, 4 de maio de 2010

Uma noite

Foi uma noite que podia ter acabado como tantas aquelas outras já passadas. Não haveria motivos para alegria alguma, expectativa nenhuma caso ela tivesse se repetido ordinariamente como todas aquelas velhas noites frias, mas seguras. Havia começado, porém, como uma noite diferente. A cama não era minha, o lençol não deslizava por minha pele e o cobertor não esquentava. E meu sono, em um ambiente hostil, ainda era instável. De acolhedor, só havia uma esboço de voluntarismo, uma vontade perdida. Naquela noite, o telefone tocou. Naquela cama, me revirei. Tocou uma, duas, três vezes. Ouvi todas, e, sim, não atendi nenhuma. E tocou mais. Naquele ambiente ainda distante, buscava apenas um gesto para acalmar meus sentidos delirantes, controlar meu corpo trêmulo e, sobretudo, esquecer da minha boca insistentemente seca. E, sem percepção, reagia com indiferença às risadas que de longe invadiam aquele quarto, e que nunca foi meu. E mais uma vez o telefone tocou. Atendi. A noite acabou.

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