quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No seu justo lugar

Foi simples, bom e passageiro, meu caro. Não tenho dúvidas. Quem disse para você que eu precisava de qualquer gesto nobre? Ei, eu só quis por uma noite, uma única noite, a luz do seu minúsculo quarto acesa. No dia seguinte, senti sono, e lamentei por saber que foi em vão. Era para ser só uma noite e nada mais.

Se você acreditou por algum vago momento que eu esperava um sentimento, um afeto, um sorriso inocente, lamento dizer que errou por pretensão. Num dia desses, você há de se enforcar com o cordão da vaidade que, com orgulho, carrega imponente em seu pescoço fino. Não se descuide. Ela ainda pode matar.

Por hoje, vamos deixar tudo lúcido e não toquemos mais neste assunto: não quero discutir uma relação que não existe, sobretudo num tom de crise existencial mulherzinha. Eu não cobro nada, não. Você, de fato, não me conhece. Só quero prazer. Muito tempo tempo atrás, quando estive com você, era só prazer o que eu queria. Não quero mais.

Entenda que, naquela noite, me alegrou rolar na sua cama, revirar seus lençóis. Me agradaram os beijos, com teor etílico. Me satisfizeram o suor, os olhos fechados, a saliva. Agradeço pelos braços enlouquecidos e afoitos. Todo esse pouco bastou por uma noite. No fim, apenas não bastaram seus chinelos, que, como simples 39 com jeito de 38, ficaram apertados em meus pés tamanho 42.

Logo vi que não caibo no seu mundo e você, no meu, se apresenta demasiadamente limitado. Não procuro detalhes, busco a imensidão. Não se assuste, não chore, mas a você pude apenas reservar um justo espaço entre as minhas insignificantes miudezas.

2 comentários:

Caco disse...

Lindo!

Alexandra disse...

Lê-lo foi realmente inspirador...
Obrigado...por esse momento!

Fique na paz...

Alexandra
alley.koltum@hotmail.com