quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Túmulo do Samba

Depois de dois anos de cobertura de carnaval da Redação, finalmente ontem foi dia de conhecer na avenida o desfile de uma escola de samba. Na segunda noite do Grupo Especial das agremiações paulistanas, assisti às apresentações de Acadêmicos do Tucuruvi, Gaviões da Fiel e Vai-Vai. Acompanhei também a evolução de Mara Kelly Silva - uma rainha -, do Rei Momo 2009 e dos mestre-sala e porta-bandeira garis. Fenomenal.

Da primeira escola, com um desfile apressado para dar conta de concluir a apresentação dentro de 1h05, saudei Roberta Zawit, colega das Artes. Imponente, ela surgiu, em destaque, sobre um carro alegórico. Logo após a Tucuruvi, o sambódromo se agitou com o anúncio da entrada da Gaviões.

O público enlouqueceu, toda área foi ocupada pela torcida organizada do Corinthians, e bexigas brancas e pretas forraram as arquibancadas para dar boas-vindas à escola - de arrepiar. Só lamento não ter visto Sabrina Sato, porque, durante sua passagem, estava no banheiro, me livrando dos copos de chopes.

Sem dúvida, o momento mais emocionante foi o desfile da Vai-Vai. A agremiação distribuiu bandeiras por todo o sambódromo e o público executou uma coreografia fantástica para receber a escola do Bexiga. Na empolgação, virei até amigo de uma dos destaques das quadras e da arquibancada. Sambei como mestre-sala. Pulei como um folião. Rodei como uma baiana. E nada se igualou à emoção da passagem da bateria, estonteante.

Esperava, no entanto, mais histeria do público e muito samba, muito agito, muita alegria, mais emoção. Achei as pessoas cansadas demais diante um espetáculo tão grande. Do sambódromo da Pan-América de Áfricas utópicas, túmulo do samba, levo uma certeza: agora só me falta conhecer o carnaval da Sapucaí.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Esse, sim, é rei - uma manhã de Cartola

Alvorada
Cartola
Composição: Cartola / Carlos Cachaça / Hermínio Bello de Carvalho


Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Conteúdo, simples assim

No banheiro, uma reflexão existencial:

Boy 1 da Vila Olímpia na Vila Madalena: E a velho, tudo bem?!
Boy 2 da Vila Olímpia na Vila Madalena: E aê, beleza, véi!
B1VOVM: Tudo certo! Vai dar um mijão?!
B2VOVM: Hehe. Vou, sim. Quer segurar meu pau pra eu não deixar cair a cerveja?!
B1VOVM: Hehe. Tô fora.
B2VOVM, mijando: E aê, véi... Tá uma merda hoje, né? Cheio de cocota no salão.
B1VOVM, mijando também: É, cara. Tá foda, viu?! Tem muita mina aí, mas a maioria é cocotinha, sim. Assim, não vou foder hoje.
B2VOVM, lavando as mãos: Vamos jogar futebol amanhã à tarde?
B1VOVM, na porta: Porra, véi. Não vai dar. Amanhã eu vou plantar a vara na Dani.
B2VOVM: De novo, cara. Você já estava comendo a Dani, né?
B1VOVM: É... De novo. Se ela gosta, eu planto rola.

Pobre Dani.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No seu justo lugar

Foi simples, bom e passageiro, meu caro. Não tenho dúvidas. Quem disse para você que eu precisava de qualquer gesto nobre? Ei, eu só quis por uma noite, uma única noite, a luz do seu minúsculo quarto acesa. No dia seguinte, senti sono, e lamentei por saber que foi em vão. Era para ser só uma noite e nada mais.

Se você acreditou por algum vago momento que eu esperava um sentimento, um afeto, um sorriso inocente, lamento dizer que errou por pretensão. Num dia desses, você há de se enforcar com o cordão da vaidade que, com orgulho, carrega imponente em seu pescoço fino. Não se descuide. Ela ainda pode matar.

Por hoje, vamos deixar tudo lúcido e não toquemos mais neste assunto: não quero discutir uma relação que não existe, sobretudo num tom de crise existencial mulherzinha. Eu não cobro nada, não. Você, de fato, não me conhece. Só quero prazer. Muito tempo tempo atrás, quando estive com você, era só prazer o que eu queria. Não quero mais.

Entenda que, naquela noite, me alegrou rolar na sua cama, revirar seus lençóis. Me agradaram os beijos, com teor etílico. Me satisfizeram o suor, os olhos fechados, a saliva. Agradeço pelos braços enlouquecidos e afoitos. Todo esse pouco bastou por uma noite. No fim, apenas não bastaram seus chinelos, que, como simples 39 com jeito de 38, ficaram apertados em meus pés tamanho 42.

Logo vi que não caibo no seu mundo e você, no meu, se apresenta demasiadamente limitado. Não procuro detalhes, busco a imensidão. Não se assuste, não chore, mas a você pude apenas reservar um justo espaço entre as minhas insignificantes miudezas.