quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Good bye

Vai tarde, mas deixa que eu fecho a porta.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Abismo

Eu fecho os olhos. A queda parece infinita. Só não choro porque eu tenho a certeza de que você vai me salvar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Você ainda vai me entender

Como lamentar a ausência de quem nunca veio? Como reagir a uma dor que nunca se sentiu? Como viver sem enlouquecer enquanto se espera a felicidade? Passei a madrugada a refletir sobre questionamentos como esses, em batalha travada com minha mãe. Juntos, buscamos possíveis respostas para eles.

Para justificar a força crônica de suas opiniões, de tal modo irrefutáveis, ela lembrou saudosamente dos seus tempos de adolescência e dos sonhos todos interrompidos. Recordou as travessuras mais que proibidas, as fugas silenciosas, o primeiro beijo inocente, a precocidade das vontades, o desespero dos sentimentos. Ela viveu tudo novamente a ponto de encher os olhos de água, ao rever as cenas perfeitas de um passado recente projetadas à sua frente, como numa apresentação cerimoniosa de slides.

Cada resgate é um novo mergulho profundo lá na memória e, das profundezas, ela subiu em pânico, e tensa, sem ar e afoita. Procurou os culpados por suas tristezas e os encontrou. Sentenciou todos eles, sem piedade. De tanta amargura por querer simplesmente uma oportunidade para amar, ela sepultou um. Abdicou de outra. E de mais um sentiu apenas clemência.

Hoje, sonha, se diz jovem e talvez pronta para viver. Não se conforma com a falta do coração disparado, das mãos suadas, do fogo de paixão. Teme, no entanto, desilusões e sofrimento. Mesmo assim, diz que, se pudesse, se exporia a dor e também a enfrentar qualquer tufão. Atitude de coragem.

Argumento, então, que não deve sofrer por ninguém. Resta aos fortes, sobretudo, gostar de si mesmo para nunca se deixar pisar por ninguém. Calculista, digo que seria capaz de curar qualquer ferida de amor sozinho, sem medo, sem choro, sem angústia. E blablablá, blablablá, blablablá. Solenemente ela desdenha, ironicamente fuzila: “Você só diz isso porque nunca amou na vida. Uma hora isso vai acontecer e aí você, com certeza, vai me entender”. Sábias palavras, simples assim. De certo, eu ainda vou entender.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pra sempre

Nada supera a beleza do céu de qualquer cidade do interior: uma imensidão preta sempre repleta de estrelas. Quando as olho, sonho com as noites ao seu lado para, assim, contá-las infinitamente, sem pressa. Serei, então, capaz de buscá-las, embrulhá-las e entregar-lhe uma a uma, a cada novo dia. À sua espera, condeno-me a passar as noites acordado. Com medo da perda, não fecho os olhos para evitar a fuga silenciosa de estrelas rebeldes. Me tranquilizo, porém, porque dizem que umas nascem, outras morrem. Mesmo assim, não permito dor nem choro. Por isso, eu vigio as noites e, atento às estrelas, zelo pelos sonhos. Quando encontrá-lo no agito cinza, prometo uma aventura. Longe vamos juntos contar as estrelas, que safadas brilham para os nossos sonhos. Infinitas, elas sempre vão existir. Lembre-se: enquanto umas morrem, outras nascem. Vamos, então, contá-las, porque, morrendo e nascendo, nossos sonhos sempre viverão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tempo roubado

Momentos de felicidade só existem quando se vive em tempo roubado. Quando as horas se fingem congeladas, enquanto, na verdade, avançam simplesmente transbordantes de prazer. Você não as vê, jamais as sente. Entregue, então, a muitas sensações, torna-se difícil limitar virtual e real durante o andar acelerado, justou ou arrastado dos ponteiros da vida. A velocidade quem define é você. Cria-se, então, o seu tempo, o meu tempo. Por essa liberdade, eu gosto de tempo roubado. Esse só é um tempo para se viver.