sábado, 12 de julho de 2008

Eu amo você

Saudade dói, mas dá prazer. Somente quando sinto saudade de alguém sei realmente o quanto amo, o quanto quero bem, o quanto desejo, como nunca, bem perto de mim. Hoje senti muita saudade. Fazia tempo que a ausência não apertava tanto. Era uma sensação de flagelo no peito, pontadas na boca do estômago, angústia nas idéias reviradas na cabeça. Me perdi em um vazio sem fim, em um nada com dimensões visíveis e infinitas, em constante expansão.

Enrolado nos sentimentos, comecei, então, para me acalmar das aflições, a lembrar de feitos heróicos. Daqueles tempos, me recordei como você era forte. Somente você me salvava de todos os riscos e me descortinava um mundo novo a cada sonho sem medo algum da realidade.

Assim, só com você, entre fantasias, verdades e principalmente descabidas mentiras, aquele córrego virava oceano, do banco de passageiro eu conduzia o ônibus no posto de motorista, com uma sopa de pão me deliciava em banquete. Os dados jogados no sofá me traziam a felicidade. Os guardas-chuvas na estante em sabor chocolate adocicavam o fim de tarde. As primeiras pedaladas sem as tais rodinhas, mesmo com muita ajuda, me rendiam à liberdade. Me lembrei também das lições de português e dos longos trabalhos de história que para você várias vezes escrevi.

Hoje, ao me olhar no espelho, por mais que eu negue, lá vi você. Em uma imagem trivial tentei concatenar todos seus valores dispostos a mim e por mim reproduzidos. Hoje, eu tão você senti falta de um tudo e de um tanto. Tão igual lamentei um distanciamento físico e mental. Na verdade, eu queria você bem mais perto de mim, como naqueles nem tão velhos tempos assim. Só sei que hoje, mesmo longe, em todo esse tom choroso, apenas lembrei, mais uma vez, o quanto eu amo você, o quanto amei e como sempre vou amar.

Meu pai, para sempre, feliz aniversário!