sexta-feira, 4 de julho de 2008

Espero tudo

Não, não prometo nada, mas rabisco promessas com minha sombra na parede do seu quarto. Experimento seu travesseiro, rolo na sua cama, me jogo no seu chão. Sem você perceber, já remexo sentimentos, fantasio momentos de felicidade, recito poesias das mais clichês. Nas noites nossas, e tão só nossas, vejo seus olhos brilharem, sinto seu corpo tremer, deslizo sobre você. Suas mãos quentes tocam-me. Vaidoso que sou só sacio meus caprichos com um sorriso seu, e bobo. Espaçoso, esqueço as meias espalhadas pelo quarto, imprimo marcas, desajeito a sua vida. Deixo os lençóis amassados, e enrolo as suas idéias. Deixo roupas reviradas pelo avesso e ignoro todos os seus apelos. Uso seu banheiro, destampo a pasta de dente, deixo os chinelos molhados, embolo a toalha. Não lavo louça, não enxugo a pia, não deixa a água escorrer. Seguro as gostas de cada instante de uma história em busca de um enredo. Escorrego e me perco. No dia seguinte, saio pelo quintal, atravesso o jardim, chuto uma bola. Corro pelas ruas, e cada vez mais distante, num ciclo recorrente, preparado para novas ilusões, lembro-me de que não prometo nada, mas sempre espero tudo.

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