quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sensações

Sonhos moveram boa parte dos meus anos de vida. A maioria não se concretizou, mas bom tempo dediquei para realizá-los. Antes, a sensação de não cumpri-los, provocava-me a dor do fracasso. Doía demais. Cada frustração podia gerar uma aflição imensa. Recomeçar (a sonhar) era a melhor solução para (bem) voltar a viver. Hoje, estou desesperado porque há algum tempo não sofro mais dessa dor, e isso não é bom. Sinal de que há muito deixei de sonhar, deixei de viver.

Minha mãe já observou esse sintoma apático. Sempre quando sonhei, ela sonhou comigo. Talvez por acreditar da forma mais clichê possível que sonho que se sonha junto é realidade. Ela fez com que muitos dos meus devaneios se tornassem realidade, sim. Por isso, quando ela diz, aflita, “nunca deixa de sonhar”, percebo que está na hora de reagir. O primeiro empurrão foi dado, é preciso agora seguir.

Hoje me faltam planos. Quando vou casar? Quando vou viajar? Quando vou estudar? Quando vou namorar? Quando vou brilhar? Quando vou emagrecer? Quando vou economizar? Quando vou caminhar? Quando vou chorar? Quando vou te ver? Quando vou crescer? Quando vou criar? Quando vou vencer? Quando vou amar? Certamente só terei respostas quando eu voltar a sonhar, voltar a viver. Eu preciso urgentemente de novos planos, de todas as cores e de todos os tamanhos.

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Eu queria ter 15, 16 anos, surtar, cansar de São Paulo, ter coragem e um amigo muito chegado para partir para a Argentina de carona em carona nas boléias de caminhões.

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Olhares curiosos elevam a auto-estima.

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Hoje sinto medo. Senti até pânico.

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