segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pérola da semana

"Ex é igual a McDonald's... Você sempre fica com vontade de comer e depois se arrepende...", Diego Zanchetta.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Nessa versão é ideinha, com ilustrações bregas...

Entre borrachas e apontadores... Assim é trash

Sensações

Sonhos moveram boa parte dos meus anos de vida. A maioria não se concretizou, mas bom tempo dediquei para realizá-los. Antes, a sensação de não cumpri-los, provocava-me a dor do fracasso. Doía demais. Cada frustração podia gerar uma aflição imensa. Recomeçar (a sonhar) era a melhor solução para (bem) voltar a viver. Hoje, estou desesperado porque há algum tempo não sofro mais dessa dor, e isso não é bom. Sinal de que há muito deixei de sonhar, deixei de viver.

Minha mãe já observou esse sintoma apático. Sempre quando sonhei, ela sonhou comigo. Talvez por acreditar da forma mais clichê possível que sonho que se sonha junto é realidade. Ela fez com que muitos dos meus devaneios se tornassem realidade, sim. Por isso, quando ela diz, aflita, “nunca deixa de sonhar”, percebo que está na hora de reagir. O primeiro empurrão foi dado, é preciso agora seguir.

Hoje me faltam planos. Quando vou casar? Quando vou viajar? Quando vou estudar? Quando vou namorar? Quando vou brilhar? Quando vou emagrecer? Quando vou economizar? Quando vou caminhar? Quando vou chorar? Quando vou te ver? Quando vou crescer? Quando vou criar? Quando vou vencer? Quando vou amar? Certamente só terei respostas quando eu voltar a sonhar, voltar a viver. Eu preciso urgentemente de novos planos, de todas as cores e de todos os tamanhos.

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Eu queria ter 15, 16 anos, surtar, cansar de São Paulo, ter coragem e um amigo muito chegado para partir para a Argentina de carona em carona nas boléias de caminhões.

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Olhares curiosos elevam a auto-estima.

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Hoje sinto medo. Senti até pânico.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

À procura de um lead

A Primeira Conferência de Políticas Públicas GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) representou um passo apenas simbólico para os avanços de direitos dos LGBT no Brasil. Do ponto de vista pragmático, não se destacou uma proposta, um encaminhamento de ação, uma filosofia revolucionária ou transformadora. Foi o mais do mesmo. Discussões, discussões e discussões, e o que de melhor os jornalistas puderam enxergar, além de um Lula constrangido de boné e bandeira do arco-íris nas mãos, foi a mudança da sigla para LGBT.

Aliás, as mudanças dessa sigla causam-me espanto. Hoje, o argumento para a deliberação sobre a mudança consiste no fato de internacionalmente o movimento estar padronizado como LGBT, mas deveríamos levar em consideração que no Brasil, ora, nasceu no sentido inverso. Aqui, institui-se o G antes do L. Outro argumento, esse forte, mas pequeno diante de tantos desafios, consiste no fato de as lésbicas merecerem destaque na causa porque são duplamente discriminadas: são mulheres e lésbicas. Ok, digno.

Sei, pois bem, perfeitamente que a língua é ideológica, que o signo carrega história e, com ela, preconceito, discriminação, opressão. Sei que não existe isenção e as palavras estão carregadas de intenções. Sim, sim, eu li Mikhail Bakhtin, em Marxismo e Filosofia da Linguagem (simplesmente um clássico do estudo da linguagem). Mas acho que existem fantamas da perseguição que deveriam ser superados.

Na Conferência Municipal, acompanhei discussões e correções tolas de participantes que, para se sentir incluídos, exigiam a verbalização de cada TTT do antigo GLBT. Naquele dia, chegaram a conclusão de que era GLBTTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Pra que isso? Não acredito que a menção de um T a mais ou a inversão de um L por G vai determinar a inclusão ou não das pessoas na luta de um movimento. Acredito que a batalha democrática se faz mais no campo das ações. Portanto, em vez de blablabla, é hora de agir.

PS: Quem quiser opinar em defesa do projeto de lei que criminaliza a homofobia e tramita atualmente no Senado pode ligar para o telefone: 0800 612 211. Este telefone já recebeu 36.000 telefonemas para opinar sobre o projeto e, em sua maioria, opiniões dirigidas e contrárias à defesa dos homossexuais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A palavra da moda

Está na moda, é chique de usar e todo mundo quer comprar: diversidade. A palavra do momento, porém, não está à venda. Não basta pronunciá-la, são necessárias mais que boas intenções e altruístas atitudes. Seria bom, além de anunciá-la, vivenciá-la em plenitude. Será que consigo?

Da democracia

A prisão do segundo-sargento Laci de Araújo, na madrugada desta quarta-feira (4), era cena digna de perseguição do Dops: militares cercam uma emissora de TV, afrontam a liberdade de expressão, cumprem mandado de prisão, praticam homofobia. Tudo na caruda, assim batendo na minha fuça, esfregando minha cara no chão, e a sua também, anos depois do fim de uma era de golpe, isso em 2008. E só porque Laci é desertor por faltar oito dias seguidos ao trabalho (esqueceram de considerar que ele está transtornado, doente por ser perseguido, um oprimido). Homem. Homens, com h maiúsculo. Arrombaram o armário e escancaram, com ironia, o que existe em qualquer lugar, inclusive nas Forças: a homossexualidade. A decisão da Justiça Militar e ação da Polícia do Exército, infelizmente, expõem o País a uma clara demonstração de intolerância e desrespeito aos direitos humanos poucos dias após a realização da maior Parada Gay do mundo (São Paulo) e menos de 48 horas antes da abertura da primeira Conferência GLBT do mundo, em Brasília. Torçamos para que nem Laci nem ninguém seja por outras vezes vítima da homofobia de instituições caquéticas, sucateadas como armas ultrapassadas e enferrujadas com ideologias de anos de chumbo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Querer bem

Gosto dos óculos de acetato da Augusta, dos tíquetes caros de estacionamento, das filas longas do cinema, das músicas de sempre das baladas, das espaços apertados do metrô, das montanhas de prédios que escondem o céu e da fumaça feia que me rouba todas as estrelas. Amo.

Ah, STF! Até tu?!

Da moral e bons costumes

Não existe nada pior que o sentimento de mulher traída. Ela sente inveja, ódio, repulsa, indignação, fúria. Quando eu reflito sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal (SFT), como a que não concede rateio de pensão por morte entre a mulher e uma "concubina" que serviu no leito um homem por 37 anos, e com quem teve 9 filhos, sinto-me traído por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sim, porque, nessa decisão, o sindicalista entronada tem parcela de responsabilidade.

Fui enganado, como Railda, mãe de 11 filhos com Santos. Em 2002, acreditei em mudanças e caberia ao operário executá-las. Ele tinha a tarefa de mudar a educação, a saúde, os problemas sociais, fazer o País crescer etc, mas tinha também a oportunidade rara de, como "progressista", tornar o STF mais moderno, mais arejado. Ok, está melhor, mas eu queria mais. Em 8 anos, ele trocou 6 ministros, e a Corte tem 11. O STF poderia estar melhor.

Lula optou, na verdade, pelo "equilíbrio" de forças na Corte. (Será?). Três votos abaixo provam essa escolha por pertencerem a ministros indicados por Lula: Lewandowski, Cármen Lúcia e Direito (esse é ligado à Igreja Católica - sem comentários). Lewandowski, além de votar contra células-tronco, como Direito, foi, por exemplo, aquele que no caso do Mensalão queria afrouxar para o companheiro José Dirceu, conforme revelou a Folha de S.Paulo. No caso das pesquisas com células-tronco, com Direito e Lewandowski juntaram-se mais três. E esses 5 derrotados votos poderiam impedir o avanço das pesquisas no País, o que não ocorreu.

Os comentários de Cármen Lúcia (do Lula) e de Lewandowski (do Lula) remontam, para mim, à sociedade do século 19 de "senhouras muy dignas" que aguardavam submissas, sob às cobertas, os maridos voltarem "da farra em noitadas em claro com moças da vida". O erro! Ai, me indigno!

Eu me sinto como Railda, uma traída, mas espero Justiça, como Joana. Eu sou fã de Carlos Ayres Britto. (E viva FHC e Collor que indicaram uns ministros mais simpáticos, bonitos e inteligentes ao STF - licença poética agora, ok, porque bonita só a Ellen Gracie).

Segue o "reliz", com grifos nossos em vermelho

Do Notícias STF:

1ª Turma: concubina não tem direito a dividir pensão com viúva

A pensão por morte do fiscal de rendas baiano Valdemar do Amor Divino Santos deve ser concedida apenas para sua esposa, Railda Conceição Santos, e não dividida entre ela e sua concubina por 37 anos, Joana da Paixão Luz (Não tá aqui, mas Paixão, coitada, teve 9 filhos e Conceição, a egoísta, teve 11). A decisão foi da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que na tarde de terça-feira (3), deu provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 397762, interposto na Corte pelo Estado da Bahia.

Depois que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou o rateio da pensão entre as duas mulheres, por considerar que havia uma união estável de Valdemar com Joana, mesmo que paralela com a de um casamento "de papel passado" entre Valdemar e Railda, o Estado da Bahia recorreu ao Supremo contra a decisão.

O relator da ação ministro Marco Aurélio, afirmou em seu voto que a Constituição Federal, no parágrafo 3º do artigo 226, diz que a família é reconhecida como a união estável entre homem e mulher, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. Para o ministro, a união entre Valdemar e Joana não pode ser considerada estável.

O artigo 1727 do Código Civil, lembrou o ministro, prevê que relações não eventuais entre o homem e a mulher – impedidos de casar – constituem concubinato. Para o ministro Marco Aurélio, a relação entre Valdemar e Joana não se iguala à união estável e, por isso, não estaria coberta pela garantia dada pela Constituição Federal.

Os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ricardo Lewandowski acompanharam o relator. Lewandowski lembrou que a palavra concubinato (do latim, concubere) significa compartilhar o leito. Já união estável é “compartilhar a vida”, salientou o ministro. Para a Constituição, esta união estável é o “embrião” de um casamento, salientou Lewandowski, fazendo referência ao julgamento da semana passada, sobre pesquisas com células-tronco embrionárias.

Para a ministra Cármen Lúcia, a Constituição se refere a um núcleo possível de união que possa se converter em casamento. “A segunda união desestabiliza a primeira”, salientou a ministra.

Divergência
Ao proteger a família, a maternidade, a infância, disse o ministro Carlos Ayres Britto, a Constituição Federal, em diversos artigos, não faz distinção quanto a casais formais – que ele chamou de papel passado, e os casais impedidos de contrair matrimônio. Para Ayres Britto, “à luz do Direito Constitucional brasileiro o que importa é a formação em si de um novo e duradouro núcleo doméstico. A concreta disposição do casal para construir um lar com um subjetivo ânimo de permanência que o tempo objetivamente confirma. Isto é família, pouco importando se um dos parceiros mantém uma concomitante relação sentimental a dois.”

O ministro votou contra o recurso do estado baiano por entender que as duas mulheres tiveram a mesma perda e estariam sofrendo as mesmas conseqüências sentimentais e financeiras.

É chegada a hora...



Sargentos assumem homossexualidade no Exército

Demorou, mas finalmente um casal gay das Forças Armadas arrombou as portar do armário do preconceito. Não vai ser fácil. Não será. É um caminho. Espero que mais gente de coragem venha a expor à sociedade aquilo que realmente são e com orgulho.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Canto dos Horrores

Quando vou ao Canto dos Horrores, não sei bem por qual motivo, sempre me lembro do quadro A Porta dos Desesperados, do programa de Serginho Mallandro, em seus tempos áureos. Era um sucesso nas manhãs ou tardes do SBT, na transição dos anos 1980 para 1990, como já foram espetáculo Hebe, Topa Tudo Por Dinheiro e Viva a Noite. Ora, não se cobra precisão tantos anos depois. Inevitavelmente, quando estou imerso no glamour que voltou às noites do centro de São Paulo, remeto-me ao tempo de criança, quando, ao abrir a porta, faziam-se o susto e a vontade tola de correr, fugir, dar voltas no palco e parar ali em frente às câmeras abraçado por alguma daquelas figuras bizarras, com um sorriso constrangido estampado na cara.

Tudo lá orna com o programa do Serginho, a começar pelos modelitos. Gosto, mesmo, de reparar. Avalio. Comparo. E rio, com o Caco, claro, porque a gente não vale nada. A gente não presta. Sabe, pessoal, não combina camiseta com sapato de bico fino. E pra que sapato de bico fino na contemporaneidade? Nem mulheres usam mais sapatos pontudos, que já foram moda há uns cinco anos. Aperta, sim, o pé em exagero. As mulheres mais antenadas, e espertas, já arredondaram as pontas de seus calçados faz algumas estações. Um chute daqueles na canela a de doer. Camisas? Interessantes, mas modernas, néam, gentem? A sensação que me dá é que uma dessas figuras de camisas retrô e sapato de bico fino vai me agarrar como no quadro do Mallandro, e isso me causa medo, muito medo.

Há, no entanto, os rapazes dignos do “Troféu Joinha”. Toda noite, obviamente, rola a premiação. A gente entrega o presente ao felizardo com pompa e circunstância. Estendemos um tapete vermelho sobre o piso quadriculado (que, sim, é paráfrase [ou paródia] do saguão do Aeroporto de Congonhas – uó!), contratamos uma banda (cafonérrima) e entregamos o “Joinha” ao contemplado da noite glamourosa do centro de São Paulo (pois não me canso de repetir: o glamour voltou à quase cracolândia da cidade). Na noite passada, o menino disfarçado de Elvis Presley, o rei, ganhou o prêmio pelo conjunto da obra, porque, se separássemos os elementos cabelo (com topete), roupa (baby look sem músculos) e sapato (preto de bico fino), ele poderia ser desclassificado. As peças, entenda bem, fofo, não combinam com nossos tempos pós-modernos. Mesmo agraciado com nosso prêmio internacional, que ecoa nos quatro cantos do planeta Terra, o garoto optou por não olhar, mas ignorar, fazer carão, ser blasé. Ok. Na minha opinião, ele se fodeu. O baixinho, breguinha e magrinho era muito feinho, e tudo “inho” era grande demais para ele.

Passada a decepção provocada por um “Joinha” com auto-estima em queda, como o dólar que bate a cotação de 1999, o melhor da noite foi Gê, João e o colega do balcão. Ah, ela, dias depois da Parada, lembrou-se de que eu e Caco temos nomes distintos e, ao apontar para cada um de nós, disse nossos nomes. Lembrou-se ainda de que somos casados há cinco anos e muito felizes. Lembrou-se também de que iríamos à Parada. Deu-nos três coxinhas. Querida ou fofoqueira ou marketeira. João nos trouxe pedaços de Engenheiro Marsillac e Brasilândia, bem gostosos. O colega, que nos segurou na saída, ficou passado com nossas sinceridades. Na verdade, acho que ele queria apenas descolar uma carona. Ok. A gente é nobre e podre até morrer!