terça-feira, 4 de março de 2008

Sim, sim... Memorável

Liguei para Thiago. Ok, confirmado. Caco me ligou. Ok, super esquematizado. Todo sábado - não é rotina, é tradição - a história é a mesma, e começa assim, ó:

- Oi, tudo bem?
- Tudo bem, e você?
- Bem também. Você está pensando em fazer alguma coisa hoje?
- Ah, estou com vontade, sim.
- Então, mas eu queria conhecer lugares novos.
- Ai, será?! É melhor não arriscar.
- A gente sempre vai sempre lá...
- Ai, melhor ir lá, mesmo.
- Ahhh. Tem razão. Verdade. Acho melhor não ousar, mesmo. Lá sempre tem música que canta. Levamos o CD e fica tudo resolvido.
- Mas eu também ando cansado de lá. As pessoas são sempre as mesmas.
- Não, pior... O só tem molecada.
- Ah, eu acho que estamos ficando velhos, né?
- É isso, sim. Precisamos descobrir um lugar onde estejam as pessoas de nossa idade (Drama: estamos entre 25 e 35, ok?)
- Ah, mas hoje vamos lá, então. É melhor. Outro dia a gente conhece outros lugares.
- Sim. Chego à meia-noite, mas posso atrasar. Venho de longe. Liga pro Caco?
- Ligo, sim.
- Beleza. Então, tchau. Beijos.
- Beijos...

O diálogo não necessita de personagem fixo. Pouco importa o dia. A seqüência de lamentação, reflexão e decisão é sempre idêntica. Não foram diferentes os últimos muitos sábados, por volta de 22 ou 23 horas. A noite passada, que se desenhava com rigor ordinário, preparou-nos, no entanto, uma série de fatos inesquecíveis.

Lá dentro me irritou um pouco o começo. Tudo foi resolvido com algumas cervejas e um débito de R$ 71. Passada as latas, alegria geral fechou levemente os olhos e ousou as atitudes. Aí, meu bem, viro amigo mesmo de todo mundo.

Conheci a japonesinha no meio do caminho para o banheiro. Fiz amizades com as cubanas que não gostam de Fidel nem de Lula, porque Lula é amigo de Fidel (só se esqueceram que Lula é amigo do companheiro Bush também, né?, filhinhas). Reencontrei o Daniel que leva a irmã adolescente, de 15 anos, à balada. Me apresentei ao Bruno, que todo sábado vejo e digo ‘oi’, mas até então não sabia o nome. Abracei o Thi. Tinha Christian lá também. Dancei também. Menti com o Caco que não sabe mentir em balada (quando eu disser que a gente se conheceu no intercâmbio em Nova York, no colegial, não é pra discordar, ok?).

Na padaria, Caco arrasou ao pedir Guaianases, ABC Paulista e Capão Redondo. Fizemos troca-troca de lanches e ainda levamos um apêndice financeiro à negociata ou ao escambo. Qual era a proposta do elemento? Caco me banca e pagou a conta. Foi luxo. "Veja". Ele tem poder.

Eu quase não comi. Eu quase não dormi. Eu quase não acordei. Eu quase morri de sede. Eu quase morri de dor de cabeça. Eu quase morri de fome. E isso não vai se repetir mais. Sábado que vem, gente, vamos a outro lugar. Mas, diferente e sempre igual, a noite foi, sim, memorável. Até a próxima.

Um comentário:

Thiago disse...

Perfeito, como sempre. Já é história querido e, no fundo, a gente não quer mudar. Te adoro.