quarta-feira, 5 de março de 2008

Antes...

Menino de letra bonita que se esmera na caligrafia ao escrever a própria história. Ele sempre escolhe folha branca de papel, sem pauta, para permitir às palavras caprichadas seguirem por caminhos tortuosos. Certo dos erros, ele rabisca os desenhos rendondos e pedagógicos que surgem da ponta de lápis para curvarem-se à publicação de erratas garrafais.

Jovem tímido que baila pelo salão na direção do palco e, por fim, em busca de aplauso. Vencido pela insegurança, pára em frente das escadarias e prefere continuar anônimo na platéia. Ele talvez opte mesmo pela humildade, apesar dos desprezíveis rompantes íntimos de arrogância.

Rapaz que, apesar de aflito, revela-se corajoso. Faz planos, planos e mais planos. Cria o poder em uma terra imaginária e lá ordena a realização de sonhos fantásticos. Neste mundo, tornou-se pessoa. Neste mundo, já foi amante, cafajeste e inocente. Neste mundo, foi juiz, ator, diplomata, presidente e quase imperador.

Homem de letra bonita, tímido e corajoso o suficiente para novos desafios. Homem-menino que deseja chocolate de sobremesa. Homem-jovem que ainda espera crescer. Homem-rapaz que se apresenta para amar. Somente sujeito de idéias ingênuas, sentimentos ácidos e gestos enrolados que juntos, como primeiro passo, estão prontos a implodir para, enfim, emegir de destroços e pó um novo homem.

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