quarta-feira, 19 de março de 2008

Só por hoje

Eu quero chocolate, dizer “eu te amo” em francês e beijar a sua boca. Hoje me permito sentir o calor do seu corpo, arriscar-me nas dúvidas da sua ideologia e agarrar-me na insegurança das suas mãos ásperas. Só por hoje eu aceito uma xícara de café frio e aceito também aquele recado em guardanapo amassado, esquecido lá no fundo do seu bolso. Aflito, eu preciso dizer “venha logo”, para poder ouvir suas histórias atrapalhadas e suspirar nos seus ouvidos ruídos libidinosos. Basta-me um olhar complacente e, sobretudo, piedoso. Recuso, no entanto, suas migalhas, suas promessas não-cumpridas e sua falsa esperança abandonada em gestos performáticos de um passado de ausência. Hoje, eu quero cada momento de leveza, quero seu peso e quero seu vazio. Espero o sorriso gratuito e as sutilezas mais nobres. Só por hoje eu quero sonhar. Só por hoje eu vou ser feliz. Só por hoje eu tenho você.

quinta-feira, 13 de março de 2008

TOP 50

Gayest Songs of All Time

50. Elton John and George Michael “Don’t Let The Sun Go Down On Me”
49. Dead or Alive “You Spin Me (Like A Record)”
48. Pet Shop Boys “New York City Boy”
47. Diana Ross “Chain Reaction”
46. Deborah Harry “I Want That Man”
45. Cher “Strong Enough”
44. RuPaul “Supermodel (You Better Work)”
43. KD Lang “Constant Craving”
42. Culture Club “Do You Really Want To Hurt Me”
41. Chaka Kham “I’m Every Woman”
40. Wham “Wake Me Up Before You Go-Go”
39. Paul Lekakis “Boom Boom (Let’s Go Back To My Room)
38. Kym Mazelle “Young Hearts Run Free”
37. George Michael “Outside”
36. Donna Summer “I Feel Love”
35. Dannii Minogue “This Is It”
34. Belinda Carlisle “Summer Rain”
33. Peter Allen “I Go To Rio”
32. Sylvester “You Make Me Feel Mighty Real”
31. Heather Small “Proud”
30. CeCe Peniston “Finally”
29. Madonna “Express Yourself”
28. Cyndi Lauper “Girls Just Wanna Have Fun”
27. Charlene “I’ve Never Been To Me”
26. Tim Curry “Sweet Transvestite”
25. Barry Manilow “Copacabana”
24. Barbara Streisand and Donna Summer “No More Tears”
23. Whitney Houston “I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)”
22. Sister Sledge “We Are Family”
21. Queen “I Want To Break Free”
20. Dolly Parton “9 to 5”
19. Coming Out Crew “Free, Gay and Happy”
18. Village People “In the Navy”
17. Frankie Goes To Hollywood “Relax”
16. Village People “Macho Man”
15. Judy Garland “Over The Rainbow”
14. Bronski Beat “Smalltown Boy”
13. Diana Ross “I’m Coming Out”
12. Cher “Believe”
11. Gloria Gaynor “I Am What I Am”

10. Alicia Bridges “I Love The Nightlife”

9. Madonna “Vogue”

8. Olivia Netwon-John “Xanadu”

7. Kylie Minogue “Better The Devil You Know”

6. Pet Shop Boys “Go West”

5. Kylie Minogue “Your Disco Needs You”

4. The Weathergirls “It’s Raining Men”

3. Gloria Gaynor “I Will Survive”

2. Village People “YMCA”

1. ABBA “Dancing Queen”

quarta-feira, 12 de março de 2008

VSF

E se pedir pra eu economizar água, papel e combustível, eu mando se foder!

Economia cresce 5,4%, e daí?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje que a economia brasileira cresceu 5,4% no ano passado. De fato, o discurso desenvolvimentista é estratégico para garantir o fortalecimento do país e propiciar suposta distribuição de renda em razão de o crescimento acelerar consumo e gerar empregos. Para garantir estabilidade, a inflação seria barrada com investimento em infra-estrutura, por parte do governo federal e das parcerias público-privadas, e expansão do parque produtivo para conter a escassez de produtos. Realmente, a lógica aqui explicada de modo simplista parece perfeita. Com muito esforço, crescemos, mas estamos no limite - esse é o clichê dos gargalos da produção e do escoamento. E daí?

O mundo cresce, e invejamos China e Índia. Aliás, invejamos qualquer país que cresça acima de 6% ao ano. Eu, na minha ignorância absoluta, quero saber como aliar crescimento (leia-se, poluição) com preservação dos recursos naturais, porque esta lógica, não sejamos hipócritas, é predatória. Existe solução?! Depois não me venham com esses discursos apocalípticos sobre o aquecimento global, devastação, esgotamento dos recursos hídricos e minerais, desaparecimento de espécies etc. Crescer ou cessar? O Brasil cresceu 5,4%, e eu com isso? Eu quero, já disse, que o mundo derreta!

Presença

Esta noite tive um pesadelo de dor e angústia e, ao acordar, eu chorei. Suicídio, flores, velório atordoaram meu consciente e minha realidade. Gostaria de nunca mais viver essas sensações. Em sonho, eu as senti e tudo foi terrível. Meu amigo, prometa-me que nunca cometerá algo semelhante. Confesso que não resistiria ao trauma. Tenho dificuldade para lidar com a ausência e, por isso, por enquanto, não posso perder. Permaneça em plenitude, por favor.

Dúvida...

Raspar ou não o cabelo?

terça-feira, 11 de março de 2008

Fim de semana com cês tudo!

Prometi ficar em casa o fim de semana inteiro. Não sairia por nada nem por ninguém. Era apenas mais uma promessa que, sim, cumpriria não fosse a insistência de Anne, que me tirou de casa sem eu tirar o carro da garagem. A gaúcha partiu da Vila Madalena, em São Paulo, para o ABC a fim de me resgatar do tédio. De repente, a noite de sábado, diferente daquelas habituais no lugar de sempre – leia-se Bubu com Thiago e Caco -, tornou-se perfeita, com direito a massagem da Larissa, papo “encalhado” a três na cama e baladinha indie na Rua Augusta.

Irritaram-me algumas particularidades da noite. A morosidade dos homens paulistanos, por exemplo, encheu-me de indignação. Eles são lerdos e, por isso, que as mocréias levam a melhor em São Paulo. Elas têm atitude, marcam presença, investem no bofe e arracam praticamente os tchongos da mesa para a tomada de iniciativa. Larissa e Anne estiveram disponíveis, flanando livres pelo salão, e linda, mas nenhum ogro, apesar dos olhares tímidos para a menina dos Pampas e a menina da Capital, arriscou qualquer abordagem. Irritou-me também, confesso, as expressões “estou ótcheema” estampada nas faces dos jornalistas e das jornalistas. Irritou-me, sobretudo, a ausência de gays no tal do território livre e mais moderno da cidade.

Agradou-me demais dormir de conchinha na cama da Anne, com a Anne (ok, a conchinha é mentira, embora seja nossa posição preferida para dormir a dois; pronto falei!). Mas, sim, eu dormi com a Anne na noite de sábado! Acordamos às 13h, com caras amassadinhas, remelinhas nos olhos e mau-hálito. Isso é amor, gente! Almoçamos, com Larissa, Mariana e mamãe de Mariana, no Sesc Pinheiros. E, na volta, Anne Hickman e Lalá levaram-me para casa até o meio do caminho.

Sim, meio do caminho porque o Ka champanhe de Anne, de repente, começou a apitar, soltar fumaça, falhar e, enfim, parar no meio da sempre movimentada Avenida dos Bandeirantes. A partir dessa experiência desagradável, Larissa sentenciou: “É para nessas horas que uma dos três precisa de namorado! Eu ligaria agora para o bofe e ele viria nos buscar, muito dignas!” Como ele não chegaria, recorremos primeiramente ao mecânico mau-humorado da AGF Seguros e, em seguida, ao reboque bacanérrimo e tiozinho que colocou os três na boléia e me deixou no metrô Saúde.

Ah, senhor, há quanto tempo eu não andava de ônibus em domingo!!! É triste e lamentável. Após 45 minutos de espera, parti sacolejando de São Paulo para o ABC, naquele maldito ônibus que não passa pela Caminho do Mar, apenas pela Vergueiro. Que saudades de meu Golzinho. Hoje, segunda-feira, eu o tratei com todo o carinho do mundo entre São Bernardo e o Bairro do Limão! Nem reclamei do trânsito. Isso é bobagem pouca. No domingo à noite, ao chegar em casa, um banho, porque o domingo não acabara.

Werner e Claudia, grande amigos casados dos tempos de Bauru, esperavam-me para uma baladinha, uma cerveja, um bom papo! Foi bom demais! Claudia foi paquerada, e Werner também, que não conseguiu disfarçar o ciúme de Claudinha, e eu também fui paquerado. E bebemos, e dançamos (loucamente), e comemos. E conversamos também, e rimos do presente e do passado. Restou-nos pouco tempo para falar de futuro. E, da zona leste ao centro, ouvimos:



Bom demais!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Depois...

Eu canto quando dirijo.
Eu viajo quando penso.
Eu deliro quando amo.
Eu sofro quando espero.
Eu temo quando cego.
Eu quero quando encontro.
Eu pergunto quando posso.
Eu beijo quando entrego.
Eu como quando abuso.
Eu aprendo quando revelo.
Eu calo quando quero.
Eu sorrio quando vejo.
Eu lamento quando perco.
Eu rezo quando agradeço.
Eu abraço quando chego.
Eu choro quando apago.
Eu minto quando devo.
Eu danço quando ouço.
Eu apaixono quando afasto.
Eu excito quando cheiro.
Eu dissimulo quando jogo.
Eu ofendo quando erro.
Eu reclamo quando nego.
Eu morro quando calo.

Antes...

Menino de letra bonita que se esmera na caligrafia ao escrever a própria história. Ele sempre escolhe folha branca de papel, sem pauta, para permitir às palavras caprichadas seguirem por caminhos tortuosos. Certo dos erros, ele rabisca os desenhos rendondos e pedagógicos que surgem da ponta de lápis para curvarem-se à publicação de erratas garrafais.

Jovem tímido que baila pelo salão na direção do palco e, por fim, em busca de aplauso. Vencido pela insegurança, pára em frente das escadarias e prefere continuar anônimo na platéia. Ele talvez opte mesmo pela humildade, apesar dos desprezíveis rompantes íntimos de arrogância.

Rapaz que, apesar de aflito, revela-se corajoso. Faz planos, planos e mais planos. Cria o poder em uma terra imaginária e lá ordena a realização de sonhos fantásticos. Neste mundo, tornou-se pessoa. Neste mundo, já foi amante, cafajeste e inocente. Neste mundo, foi juiz, ator, diplomata, presidente e quase imperador.

Homem de letra bonita, tímido e corajoso o suficiente para novos desafios. Homem-menino que deseja chocolate de sobremesa. Homem-jovem que ainda espera crescer. Homem-rapaz que se apresenta para amar. Somente sujeito de idéias ingênuas, sentimentos ácidos e gestos enrolados que juntos, como primeiro passo, estão prontos a implodir para, enfim, emegir de destroços e pó um novo homem.

Reforma Gráfica

Sabe como é, né? Os jornais e as revistas repaginam o visual para disputar o interesse dos leitores mais jovens, antenados, inteligentes, que cresceram em meio à revolução internet. Portanto, este Rascunhos, após amplos debates, estudos e projeções analisadas pelo conselho editorial, resolvou investir em reforma gráfica para trazer novidades estéticas e de conteúdo para os leitores. (Quem vê pensa que esta porcaria é importante!)

terça-feira, 4 de março de 2008

Sim, sim... Memorável

Liguei para Thiago. Ok, confirmado. Caco me ligou. Ok, super esquematizado. Todo sábado - não é rotina, é tradição - a história é a mesma, e começa assim, ó:

- Oi, tudo bem?
- Tudo bem, e você?
- Bem também. Você está pensando em fazer alguma coisa hoje?
- Ah, estou com vontade, sim.
- Então, mas eu queria conhecer lugares novos.
- Ai, será?! É melhor não arriscar.
- A gente sempre vai sempre lá...
- Ai, melhor ir lá, mesmo.
- Ahhh. Tem razão. Verdade. Acho melhor não ousar, mesmo. Lá sempre tem música que canta. Levamos o CD e fica tudo resolvido.
- Mas eu também ando cansado de lá. As pessoas são sempre as mesmas.
- Não, pior... O só tem molecada.
- Ah, eu acho que estamos ficando velhos, né?
- É isso, sim. Precisamos descobrir um lugar onde estejam as pessoas de nossa idade (Drama: estamos entre 25 e 35, ok?)
- Ah, mas hoje vamos lá, então. É melhor. Outro dia a gente conhece outros lugares.
- Sim. Chego à meia-noite, mas posso atrasar. Venho de longe. Liga pro Caco?
- Ligo, sim.
- Beleza. Então, tchau. Beijos.
- Beijos...

O diálogo não necessita de personagem fixo. Pouco importa o dia. A seqüência de lamentação, reflexão e decisão é sempre idêntica. Não foram diferentes os últimos muitos sábados, por volta de 22 ou 23 horas. A noite passada, que se desenhava com rigor ordinário, preparou-nos, no entanto, uma série de fatos inesquecíveis.

Lá dentro me irritou um pouco o começo. Tudo foi resolvido com algumas cervejas e um débito de R$ 71. Passada as latas, alegria geral fechou levemente os olhos e ousou as atitudes. Aí, meu bem, viro amigo mesmo de todo mundo.

Conheci a japonesinha no meio do caminho para o banheiro. Fiz amizades com as cubanas que não gostam de Fidel nem de Lula, porque Lula é amigo de Fidel (só se esqueceram que Lula é amigo do companheiro Bush também, né?, filhinhas). Reencontrei o Daniel que leva a irmã adolescente, de 15 anos, à balada. Me apresentei ao Bruno, que todo sábado vejo e digo ‘oi’, mas até então não sabia o nome. Abracei o Thi. Tinha Christian lá também. Dancei também. Menti com o Caco que não sabe mentir em balada (quando eu disser que a gente se conheceu no intercâmbio em Nova York, no colegial, não é pra discordar, ok?).

Na padaria, Caco arrasou ao pedir Guaianases, ABC Paulista e Capão Redondo. Fizemos troca-troca de lanches e ainda levamos um apêndice financeiro à negociata ou ao escambo. Qual era a proposta do elemento? Caco me banca e pagou a conta. Foi luxo. "Veja". Ele tem poder.

Eu quase não comi. Eu quase não dormi. Eu quase não acordei. Eu quase morri de sede. Eu quase morri de dor de cabeça. Eu quase morri de fome. E isso não vai se repetir mais. Sábado que vem, gente, vamos a outro lugar. Mas, diferente e sempre igual, a noite foi, sim, memorável. Até a próxima.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Direita x Esquerda

Os dois vídeos abaixo, encontrados no YouTube, apropriam-se de imagens relativas ao tirano Adolf Hitler para falar da política brasileira contemporânea. O "esquerda" mostra os "Fora Lula" na figura do ditador e ironiza o discurso da direita contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O segundo, com a mesma criatividade e inteligência, traz Hitler desesperado com o uso indevido dos cartões corporativos. Cada um de um lado - direita e esquerda -, mas ambos sensacionais. Vale a pena conferir e rir.

Humor 'direita'

Humor 'esquerda'