sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

São Paulo 454

Ao voltar hoje para casa imaginei como seria a Avenida do Estado inteiramente arborizada. Pensei em copas grandes sobre o asfalto. Nessa projeção, o trajeto ficaria muito mais bonito. As idéias viajaram na mente e comecei a desenhar aquele trecho de São Paulo antes da chegada dos colonizadores deste País. À beira do poluído Rio Tamanduateí, vi mata, animais, água pura, índios e o forte traço de lembranças da história do Brasil. É ridículo, é piegas, é cafona, mas divaguei.

Detesto homenagens a cidades, estados ou países. Acho de péssimo tom, caem mal, soam patéticas. Hoje, no entanto, ao passar pelo Mercado Municipal, como faço diariamente, a paisagem forçou-me ao sentimentalismo barato. E, por isso, escrevo aqui as impressões que se formaram de toda essa negação ao brega.

Primeiramente quero dizer 'não'. São Paulo, que faz 454 anos hoje, não é a minha cidade. Não mesmo. E não, não gostaria de morar nessa que é a mais mau-humorada cidade do país. Minha cidade é a Santo André da Borba do Campo, bem mais antiga que esta metrópole que, anos mais tarde, tornara-se referência em tudo. Mas, mesmo sendo do Campo, não posso negar meu vínculo com a Capital.

As marcas vêm de longa data. São Paulo, embora seja, sim, cinza, apresentou-me ainda pequeno o verde dos Jardins Zoológico e Botânico. A cidade também me mostrou outras cores. Lembro, por exemplo, das cores todas do PlayCenter. Em São Paulo, desde menino, eu aprendi a ver os amarelos, os brancos e os pretos. Vi o vermelho dos sabores. Vi o prata das noites. Vi o dourado das vitrines dos shoppings e das gentes endinheiradas. Vi o marrom tijolinho das casas de periferia. Vi o preto das chaminés. Vi o azul de um céu desbotado.

São Paulo é feia e bonita. Expulsa e acolhe. Chora e sorri. Bate e apanha. Grita e silencia. Ilumina e apaga. Beija e cospe. Apesar disso, São Paulo não é bipolar, nem boa nem má. São Paulo não é dicotômica, é complexa, é plural. Se me perguntar se eu gostaria de morar em outro lugar, eu digo 'sim'. Gostaria, mesmo. Hoje eu fico porque São Paulo eu amo e odeio.

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