sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ainda não acabou

Acredito que a “festa estranha com gente esquisita” no Conexión Caribe, na Vila Madalena, São Paulo, mereça um pouco mais de riqueza nos detalhes em um novo post. A proposta era simples e consistia de uma cervejinha com Luciele e colegas depois um dia de trabalho. Servia também para brindar o último dia de serviço, o último dia útil. Seria, portanto, uma forma de dizer adeus a 2008, uma vez que logo cedo partiria para Maringá, onde estou agora derretendo por causa do calor.

O primeiro destaque da noite foram os seguranças que hablán portunhol. Mas, além do dialeto próprio, merece congratulações a recepção calorosa e simpática. “Se ustedes estan achando caro, pueden ir a otra casa latina en la Vila Madalena que fica a duas quadra de a cá”, disse um dos chicos em resposta ao nosso sonoro: “Nossa, hoje é quinta-feira e a casa está vazia, logo R$ 15 de entrada com direito a duas Skols é valor um tanto alto para gente. Rola desconto?”... Tudo na ingenuidade, no gracejo e na alegria, gente. Não precisa dar uma dica tão grosseira. Pois bem, fizemos as contas, tínhamos condições de seguir e entramos.

Eu, na verdade, não queria entrar, não. Queria mesmo as duas Skols bem geladas porque eu estava com muita sede e também queria a companhia das pessoas divertidas do entorno. Entrei com passos firmes no chão porque não conheço a estrutura da casa. Gente, é diferente da Bubu, onde eu conheço cada degrau e que, por isso, mesmo alcoolizado, nunca tropecei, muito menos fui ao chão.

No Conexión, fui firme a admirar também a decoração um tanto peculiar do ambiente. Reparei cada detalhe: as janelas, as portas, os quadros, as bandeirolas dos países latino-americanos, as caixas de som antigas, os retratos de Che, os ventiladores sujos. O cenário, embora lá nunca estive, remetia-me a sensação de estar na Ilha do companheiro Fidel. Ou seja, é isso mesmo: faltava tecnologia. Pronto, falei. E, de cara, atentei também ao som: merengue, salsa, mambo e muito mais... Entrei a bailar! Ariba!

A timidez, de início, tomou conta e imaginei ser incapaz de conseguir dançar. Pois bem, puxado por Valéria, uma mulher divertidíssima que saiu acompanhada de um afro-e-tanto, soltei-me a sacolejar o esqueleto pelo pequeno salão, praticamente uma sala de estar de uma casa média, cortada por uma pilastra. Dancei com ela, com Lu, com Dri, com Verônica. Dancei com todo mundo. Fui paquerado por uma distinta senhora loira quarentona e choquei. Gostei muito foi do cabelinho curtinho vermelhinho de uma tiazona que se expunha na medina.

Nas idas e vindas ao banheiro, um esbarrão aqui, mais uma cervejinha ali, um papinhos com moçoilas fashions também. Era gente de tudo quanto era jeito. Era gente de tudo quanto era cor. O ambiente aos poucos foi ganhando contornos de celebração da diversidade dos povos. Só ali, eu ouvi cinco línguas diferentes: português, espanhol, francês, alemão e inglês. Juro que poderia ouvir também guarani. Juro. De fato, questionei se estávamos na Conferência da ONU, diante tanta diversidade, ou em qualquer Fórum Social Mundial, devido ao tom vermelho do ambiente, carregado por homenagens ao Che, e também por causa da presença de jovens barbudos e de óculos com armação preta, provavelmente estudantes de História ou Ciências Sociais da USP.

A decadência da noite foi encontrar um ex-BBB. Sim, era um ex-BBB, da TV Globo. Gente, é muito triste ter um fim assim sendo tão jovem. Ninguém, ninguém sequer recordava o nome do rapaz. Só se sabiam algumas referências esparsas do tempo da fama, como, por exemplo, o fato de ele ter nascido em alguma ilha francesa e viver no Brasil, ter ficado com uma negra que participava da edição e ser cabeleireiro. Ninguém sabia mais nada. Nadinha, pessoal.

A noite foi divertida. Como sempre digo, se não foi boa, ao menos foi uma experiência antropológica. No fim, uma paradinha básica para aquele lanche dividido com Luciele, uma Coca... E, na volta, janelas abertas, cabelos ao vento e Maria Bethânia, tendo de respirar no fundo do mar, nos ouvidos. É... Tá bom, vai. Tudo bem. Foi bom e divertido demais!

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