sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Estereótipos de guetos

Ao rondar pela noite paulistana, coloquei-me a pensar se de fato todos ou a maior parte dos freqüentadores dos tradicionais guetos incorporam o estereótipo de bem-sucedidos e fashions, como se impôs acreditar. Concluí que os mitos precisam ser desconstruídos urgentemente e não faltarão argumentos para derrubá-los efetivamente.

Existem espaços que concentram, sim, aqueles bem-sucedidos profissional e financeiramente que, por isso, vestem-se com estilo e recorrem principalmente às grifes famosas para compor o visual. Em cinemas, lojas, shoppings, bares, restaurantes, casas noturnas, todos localizados no eixo Consolação-Jardins-Pinheiros (no máximo, Perdizes e Lapa), desfilam imponentes. Leve ou pesadamente arrogantes, eles flanam pela Avenida Paulista.

Como elite não é grande e concentração de renda não poupa orientação sexual, boa parte destes novos ricos torram todo o salário em aluguel de apartamento que dividem com muitos amigos na região da Bela Vista, Jardins ou Consolação. A renda mensal também se contorce para dar conta das baladas, do cinema (alternativo) e do táxi. Ok. Legal. Alguns lêem bons livros, assistem a bons filmes, têm diploma superior e são, sim, interessantes.

E é justamente aí, quando se pensa em mundo gay, que o senso comum reforça alguns mitos. Gay é assim, ó: tem entre 25 e 30 anos de idade, é formado em Letras, Comunicação Social, Psicologia, Arquitetura ou Moda, ganha relativamente bem, tem carro, fala mais de dois idiomas além do português, bonito, malhado, divertido, bem-vestido, rodeado de amigos (gays e mulheres).

Vamos aos fatos. Será que o senso comum nunca parou para pensar que os meninos podem ter de 10 a 70 anos de idade, ser formados em Engenharia, Direito, Administração, Medicina ou, até mesmo, analfabetos, ser mal-remunerados, andar a pé, não dominar nem mesmo o português, feio, magro ou gordo, chato, mal-vestido e, por muitas vezes, nem sequer ter amigos? Cruel, não? Mas, na verdade, a vida é assim.

Contra os estereótipos, viva a diversidade.