domingo, 21 de outubro de 2007

Nova versão

Aos três anos de idade, seria cantor não fosse hoje a inabilidade com a voz. Aos cinco anos, seria motorista de ônibus não fosse hoje a impaciência com trânsito. Aos sete, seria arquiteto não fosse hoje a dificuldade em firmar a régua e o compasso sobre o papel. Aos nove, seria promotor de Justiça não fosse hoje a impaciência com o conservadorismo. Aos onze, seria professor de português para ensinar sintaxe não fosse hoje a preferência pela dinâmica da língua. Aos treze, já era o que é, embora ainda não saiba o que vai ser.

Traçaram-se planos, um atrás do outro, bem seqüenciados. Muitos deles eram sonhos, talvez exeqüíveis. Outros, devaneios. Boa parte realizou. Boa parte frustrou. Diante das vitórias e derrotas, optou por seguir sempre, sabendo que perderá, mas ganhará também porque é forte. Não sente medo, mas receio. Sabe ser feliz e, se necessário ou inevitável, sabe ser triste. Prefere, no entanto, a realidade, com os momentos de euforia e disforia, assim como se estrutura o cotidiano.

Hoje apenas é. Por ora, sabe que é incoerente, teimoso, contraditório, intransigente, mimado, fraco, ansioso. Sabe também que é amigo, leal, sincero, bondoso, flexível, simples, íntegro. É menino, é homem. É revolucionário, é conservador. É quente, é frio. É crente, é cético. É torto, é direito. É prosa, e às vezes, poesia. É flor, é espinho. É esquerda, e é plural. Hoje apenas é, apenas será. E um dia, ou em breve, consciente das espirais contínuas, poderá deixar de ser. E assim se faz.

Um comentário:

Edison Veiga Jr. disse...

bacana seu blog... vou virar freguês!
abração
do www.cronopolitano.blogspot.com