quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Balela

DIAS 11
DIA DA HARMONIA

É um diplomata por excelência (COM CERTEZA). Delicado nos termos e ações (TAMBÉM), possui tato e discernimento para qualquer problema ou ocasião (UM HABILIDOSO HERÓI). É um número-mestre (AINDA NÃO), e os seus possuidores quase sempre são carinhosos, sentimentais e necessitam tremendamente de um lar para se sentirem seguros, protegidos, pois não gostam de viver sozinhos (TENHO MEDO, SIM, DA SOLIDÃO). Normalmente é exagerado em seus amores (ISSO É REFLEXO DA MINHA LUA EM CÂNCER, POIS SOL ESTÁ EM VIRGEM E ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO), pois é altamente emocional e por vezes se sente frustrado em tentar impor aos outros seus pontos de vista e padrões morais e não ser atendido (SIM, SIM, SOU AUTORITÁRIO). Parece uma contradição (SIM, SOU MATERIALISTA), e é, pois sendo o 11 compreensivo por natureza, não deveria se importar com o pensamento alheio, mas se importa (DEMAIS, EXAGERADAMENTE). Como ama a liberdade (SERÁ?), necessita estar sempre ocupado para se sentir útil e feliz. É eficiente profissionalmente e poucos o acompanham em qualquer atividade, apesar de ser mais sonhador do que realizador e, em virtude disso, deve sempre procurar orientação técnica profissional para ser bem sucedido e ser feliz. Deve, ainda, tomar muito cuidado para que o seu intelecto não sufoque sua intuição, pois sendo psíquico, não pode vacilar ante os problemas (DETESTO ERRAR, DETESTO QUEM ERRA). Pode parecer submisso (SÓ APARÊNCIA, VIU, GENTE?!), mas, na realidade, consegue tudo o que deseja pela persuasão, paciência e persistência, características que lhe são inerentes (OU SEJA, DOMINO E SOU FODA). Tem tendência à arrogância (ISSO É MENTIRA!!!) e qualquer vício lhe é prejudicial ao organismo (HIPOCONDRIA).

Ainda o tal do Rolex

O cantor e compositor Zeca Baleiro publicou artigo em Tendências/Debates da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (29) no qual expõe seu posicionamento em relação aos argumentos infantis do texto de Luciano Huck e o "romanceamento" do crime no artigo de Ferréz. Ele aproveitou também para rebater artigo de Reinaldo Azevedo, de Veja, classificando- o de 'idiota' para defender o pluralismo de idéias e para taxar a revista de 'ultra-direita' como 'fascistóide'. Zeca, espetacular, finaliza dizendo que o problema do mundo parece ser uma luta de classes sem fim. Na Folha desta quarta (31), Tom Zé publicou carta na qual apóia o músico maranhense. Amo os dois. Deu pra entender o motivo?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Aquecimento global

A história do carbono neutro é tão paliativa como peidar e borrifar Bom Ar. Pode até parecer falta de consciência, mas não é: eu quero é que o mundo derrata e, nesta hora, como a Illenia, eu quero à beira-mar tomar uma gelada à espera do próximo tsunami. Sinceridade? Cansei, assim como os enfadados da elite paulistana, do discurso sobre responsabilidade sócio-ambiental. Caso não mudemos completamente nosso modo de vida, o mundo vai, sim, se liquefazer, mesmo, de verdade. Olhemos à nossa volta e deixemos de lado esses discursos patéticos de "abasteça, e plante uma árvore", "use tal detergente, e plante uma árvore", "more aqui, e tenha uma árvore com o nome de sua família”. Vá à merda tudo isso!

Sinceridade, por favor 3

Por Illenia Negrin
Comentários de William Glauber

27) Você tem de entender que eu já quebrei a cara muitas vezes. (Azar o seu!)
28) Sofri demais em outros relacionamentos. (Infeliz, mal-amado)
29) Tenho muito carinho por você. (Aff, imbecil)
30) Eu gosto muito de você pra te ver sofrer. (Cretinice sem tamanho essa)
31) Acho que não é o momento. (Sem comentário)
32) Eu tenho medo de me envolver. (Jura?)
33) Daria tudo pra não te ver chorar. (E agora? O que eu faço?)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sinceridade, por favor 2

Por Luciele Velluto
Comentários de William Glauber

22) Acabei de sair de um relacionamento e não estou preparado para um outro. (Avisasse antes, ca-rá-le-o)
23) Eu só não quero que você fique mal. (Fico como então, seu filho da puta?)
24) Eu acho que a gente não está se entendendo. (Seu Merda)
25) Estamos em mundo completamente diferentes. (Vai pro inferno, então!)
26) Você é uma ótima pessoa. O problema é comigo mesmo. Se puder, eu quero ser seu amigo. (Amigo de cu é rola)

Vai um sunday aí?!!!

- Às vezes eu tenho a sensação de que vou ficar sozinho pra sempre, lamenta William.
- Ah, eu também sinto isso, Wi, rebate Luciele, para consolar.
- Será que a gente nunca encontrar alguém?, inconvenientemente pergunta Luciele.
- É... Pensando bem eu acho que vou tomar um sunday de chocolate, desconversa William, desconcertado.

domingo, 28 de outubro de 2007

De Illênia

"Abstenha-se apenas dos imbecis."

Sinceridade, por favor

Respostas cretinas concedidas a questionamentos inconvenientes:

1) Eu vou te ligar, sim. Pode esperar. (Espero até hoje)
2) Ah, não vai dar. Estou inseguro. (Use Sempre Livre, gente)
3) Eu preciso de um tempo para pensar. (É filosofia pura)
4) Não tenho uma vida estável. (E eu sou o herdeiro do Grupo Votorantin)
5) Minha vida está uma loucura agora. (Ah, e a minha é muito fácil)
6) Você é a pessoa certa na hora errada. (Precisamos ajustar os relógios, então)
7) Faltou química. (Embora tenha havido um bom orgasmo)
8) Você é perfeito, não merece sofrer. (Me poupou. Que bom. Só agradeço)
9) Você é um cara legal e eu não sei lidar com isso. (Aff, sem comentários)
10) O problema está comigo e não com você. (Chiclê dos clichês)
11) Existe um interruptor de liga e desliga, infelizmente desligou. (Entende de física)
12) Sou inseguro. (Gente fraca é foda)
13) Eu não sei me relacionar. (Morra, então)
14) Eu me autoboicoto à felicidade. (Coisa de gente sadomasoquista)
15) A gente se vê hoje, com certeza. (Só não vi porque sou cego)
16) Eu te desejo toda a felicidade do mundo. (É o mínimo que eu espero)
17) (O silêncio).
18) (O boicote).
19) (A infantilidade).
20) (A covardia).
21) A lista aceita colaborações...

De tudo, eu prefiro: "Sinto muito, mas não estou a fim."

Eu, em extinção...

Românticos
Vander Lee/Rita Ribeiro

Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção

Românticos são poucos,
Românticos são loucos,
Como eu
Como eu
(Como nós)

Belezura

Adoro acordar emotivo. O dia fica mais produtivo.

É simples

Para me apresentar a você, eu construí desnecessariamente inúmeros mitos que no dia-a-dia destruo-os obviamente sem perceber. Por mim, todos permaneceriam incólumes a fim de manter a impressão de que sou aquilo que penso que sou e não aquilo que realmente sou. Atordoado sem de fato saber o que sou, eu diria a você que sou forte, mas sinceramente sei que não sou. Diria também que sou imbatível, mas lamentavelmente não sou. Diria ousadamente que sou corajoso, mas jamais fui, muito menos sou.

Em parte dos mitos eu acreditei. E acreditei também ser inteligente. Acreditei ser simpático. Acreditei ser bom. Acreditei ser bonito. Acreditei ser grande. Eu diria, porque digo o que bem quiser, que sou complexo e irremediavelmente simples. E, embora inteligente, simpático, bom, bonito, grande, diria que, mesmo complexo e simples, não sei ainda que existo, seja lá como sou. Talvez você seja mais capaz de compreender minha existência do que eu próprio. Não me noto ainda.

Queria, na verdade, existir em plenitude para, além de inteligente, simpático, bom, bonito, grande, ser aquilo que sei que devo ser. Deveria e deverei ser tanto e tantas coisas. E, mesmo perdido sem saber como ser, eu ainda me apresento a você como um alguém inconveniente, passional, apaixonante, instigante, libertário, insano, revolucionário, inquieto, questionador, carinhoso, alegre e por vezes triste. Eu seria mais, muito mais, mas, por hoje e para a sua alegria, eu ainda seria encantador, a ponto de conquistá-lo. E se conquistá-lo, apesar de tantos erros e acertos, dou-me por satisfeito.

Krishma

O aniversário da Krishma neste sábado (27) no Pop's rendeu bons motivos para rir, dançar, viver. Regado à Original, foi perfeito. Momentos simples tornam-me mais feliz. Vou encontrá-los com mais freqüência.

Deixe de esperar e de buscar

Olhei-me de longe e não me reconheci. Roubaram-me a nitidez da imagem. Olhei mais uma vez e não enxerguei nada de real. Diante de um espelho enorme já não me reconhecia e cada linha do meu rosto se desfazia turvamente frente a um reflexo inexato. Perdi-me no espaço e no tempo. Não sei se vou me resgatar de um abismo chamado vida. Alguém ou algo havia levado de mim o que mais de bom sempre me guardei. Pensei ser a exatidão, mas não era. Tudo havia deixado de ser perfeito e inutilmente forcei os olhos em sensação exausta de esforço e lamento.

Não me enxergava, e isso me incomodava bastante. Pensei que o álcool ou a miopia tivesse colaborado para isso, mas não. De fato, eu estava cego. Não seria capaz, de forma alguma, de reconhecer minha própria imagem diante daquele espelho. Fiquei cego, sim, por causa da ardida e dolorosa acidez da vida. Enganei-me ao acreditar na doçura e, quando me deparei com os desgostos de um prato vasto, choquei-me com uma lamentável amargura. Daria tudo por um algo doce. Me contentaria um pirulito. Açúcar por uma noite bastaria, e melhor seria se fosse por toda a vida.

Eu quero doçura, sim. Quero calor, uma chama vibrante e incansável, que, a cada instante, deseja me incendiar. Sol e ascendente não me preenchem, quero lua. Minha lua está em água para regar todos meus sentimentos impulsivos na esperança de saciar ímpetos e conquistar a plena satisfação. Ciente da impossibilidade da completude, sinto uma ferida aberta no peito. Não sei como estancar o sangramento, não sei como conter a dor. E essa sensação de derrota e impotência dói bastante.

Dói porque busco uma conter um sentimento contínuo de vazio. Vazio oprime porque está por todos os lados. Simplesmente esvaziou uma mente repleta de idealização que, por mais singelas e belas, relutam em se concretizar. O segredo, disseram-me certa vez, seria deixar de esperar ou procurar. A princípio, pensei que tal sugestão fosse fatalista. Ora, deixaria de procurar e desistiria de procurar. E, então, o que faria? Me renderia ao acaso, ora. E se assim fizer talvez me sinta pronto para acreditar nas regras da vida e não nas minhas próprias projeções egoístas e ambiciosas.

Pensando bem, convença-me de tocar outra música, apresente-me seu repertório. Puxe uma cadeira e sente aí. Se quiser, levantamos e dance comigo. Peça um copo, e, embalado completamente, ajude-me a entender a existência substancial de forma simples e cabal. Se possível, decifra-me os caminhos da vida. Se conseguir, minha imagem no espelho, antes turva, se tornará perfeita e, assim, resgatarei o sentido para, tranqüilo, tentar mais uma vez.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Vai, sim!

"Toda vez em que o amor disser 'vem comigo', vá sem medo de se arrepender", Gal Costa em momento melodramática, com Chuva de Prata, de Ronaldo Bastos.

Não quero dinheiro

Tim Maia

Vou pedir pra você voltar
Vou pedir pra você ficar
Eu te amo!
Eu te quero bem...
Vou pedir pra você gostar
Vou pedir pra você me amar
Eu te amo!
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...

Te espero para ver
Se você vem
Não te troco nesta vida
Por ninguém
Porque eu te amo!
Eu te quero bem...
Acontece que na vida
A gente tem
Que ser feliz
Por ser amado por alguém
Porque eu te amo
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...

Hummm

Aumenta o som e apaga a luz!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pressa

Quando criança, a ansiedade consumia boa parte do tempo. Insônias, desejos, lágrimas eram provocados por uma pressa para viver. Delirava por viver intensamente e, por isso, também se angustiava à espera de algo ou alguém. Alguns momentos de ansiedade da infância eram muito tensos e até torturantes. A cada nova espera, ele sofria dos mesmos sintomas. Sentia palpitação, os olhos arregalavam-se, pés e pernas agitavam-se em ritmo frenético e as mãos gelavam e suavam continuamente. Aguardar calmamente era impossível. Não sabia ele esperar.

A ansiedade é justamente o sentimento de quem que pouco viveu muito precisa experimentar. Ele tinha pressa, por exemplo, para ver o pai chegar. Religiosamente, às 17h o ônibus da firma deixava o pai em casa após um longo dia de trabalho. Vagamente lhe disseram certa vez que o pai saía de casa às 4h30 para trabalhar, mas ele, que acordava às 9h todos os dias, não sabia muito bem que hora era aquela. Ele só sabia que no fim da tarde de todos os dias ganharia bombons, balas ou brigadeiros e um beijo.

Outras esperas também o deixavam aflito, com muita pressa. A espera pelo início de cada ano letivo era afoita para estrear os novos cadernos, usar as novas canetas, ler os novos livros. Conhecia também os novos amigos e as novas professoras. Era muita novidade.

À mesma medida em que desejava o início das aulas também espera, ansioso, claramente, o término dos semestres para o começo de cada férias. Férias, em julho ou em dezembro, eram sinônimo de liberdade. Nessa época, a ansiedade era grande. Precisava correr, e muito, para dar conta de tanta felicidade para tão pouco tempo. O primeiro desejo ao chegar ao interior era pedalar. A cada novas férias, um novo caminho se revelava. Entre um tombo e outro, um palmo de chão mais distante era superado em busca do novo.

E, ainda em busca do novo, continua ansioso. Sempre foi assim. Tem pressa para falar, tem pressa para contar, tem pressa para andar, tem pressa para ler, tem pressa para sentir, tem pressa de viver. Era ansioso pelo resultado do vestibular, pela conquista do primeiro estágio, pela luta no primeiro emprego. Foi ansioso quando do primeiro beijo, da primeira paixão, do primeiro amor, da primeira desilusão. Segue ansioso, apressado, acelerado. Segue ofegante, assim ansioso, sem parar. Seguirá até se encontrar, até te encontrar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Horário de pico

Diálogo clássico no metrô ou no trem às 18h:

Afoito cutuca impaciente: "Você pode me dar uma licencinha. Vou descer na próxima [estação]"
Impaciente irritado, sem olhar para o Afoito: "Eu também!"

Contradições

Ah, eu disse, mas agora estou desdizendo!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Alternância

A partir de agora, mudança de rumo da temática.

Qualquer resposta...

Nunca me entregue o vazio. Não me conceda o silêncio como sentença. Jamais se omita diante de mim e da verdade. Atenda seus desejos, respeite seus valores, siga seus preceitos, mas não deixe de se posicionar ou de se expressar diante de mim.

Não faça promessas tolas, e, se prometer, cumpra. Se incapaz de realizar um pedido meu, imponha-me o “não”. Se indisposto a corresponder meus anseios, desfaça todas as minhas ilusões. Feche a porta, sem bater, por favor. Revele, ao sair, palavras com sentido. Escancare, sim, suas reais intenções.

Não jogue comigo. Não arme. Não blefe. Não me chame tolo. A vida é uma só, e o bilhete de embarque é somente de ida. Não parcele a minha felicidade nem financie os meus sonhos com altas taxas de juros com prestações a perder de vista. Permita-me a realidade já e agora e para sempre. Pague bem porque tenho valor.

Se receber carta – garanto que muitos delas ainda estão para chegar –, mande-me resposta de próprio cunho. Será uma gentileza. Responda, independentemente dos sentimentos. Emita o atestado de nascimento ou de óbito. Da morte, se renasce e executar novos ciclos me possibilita prosseguir, em pé ou arrastado.

Quando eu chamar, grite. Atenda-me imediatamente e diga-me algo além de um simples ‘alô’. Se não conseguir, não vai bastar o ‘alô’. Não, mesmo. Saiba você que, da promessa, da carta, da chamada, basta-me qualquer resposta. Só não me deixe à eterna espera.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sem remédio

O dia seguiu ordinário, como de costume. Acordou tarde porque, ao esticar a noite, fechou os olhos apenas às 7h da manhã. Antes disso, porém, leu o jornal de domingo. Passeou por alguns minutos pelas páginas de economia, política e cidades. Gosta mesmo é de política porque tem parte. Deitou-se, em seguida, satisfeito com a sensação de que bem informado não teria desperdiçado aquele dia que, ao começar, já finalizou com o sono invertido. As horas claras, pois, se foram em escuro.

O sujeito comum tomou o café da manhã no horário do café da tarde. Lembrou-se naquele instante de que café da tarde tomava às 15h na casa da tia ou da avó, no interior, nas longas férias. Na época, o café da tarde marcava a pausa para o descanso entre uma brincadeira e outra que recheavam o dia. Sentava-se faminto à mesa e comia pão caseiro com margarina e bebia uma xícara de café, enquanto o suor escorria no rosto. Afoito, não via a hora de partir em disparada para a próxima aventura. É, mas naquele dia não teve café da tarde, era somente café da manhã, habitual, repetido e fora de horário.

Embora começasse curto, o dia não poderia deixar de ser. Após o café, seja da manhã ou da tarde, estabeleceu uma lista de tarefas e desejos. Fez uma ligação importante. A primeira missão foi executada com êxito, e o resultado positivo tornou-se visível na face riscada com um sorriso bobo de satisfação. Por instantes, foi feliz. Fez outras ligações menos relevantes.

Para passar o pouco do tempo que restava, assistiu à TV, deu risada das mesmas piadas prontas da semana passada, assim como faz continuamente sem se cansar da mesmice. Talvez, quando o novo surgir, o gracejo se faça velho. E riu. E, feliz, riu de si mesmo.

As horas passaram. Resolveu refletir sobre os caprichos da vida em dia nublado, abafado e comprimido. Encontrou, por sorte, uma jovem disposta ao diálogo existencialista. Conversaram por horas, sentiram dor juntos, debocharam das alegrias e das tristezas juntos, diagnosticaram as angústias de cada um juntos, mas não prescreveram nenhum medicamento para as enfermidades. Erraram.

As inquietações, sem remédio, logo sem cura, fervilharam na mente do paciente. Sem a interlocutora das aflições, buscou entender o porquê da agitação das idéias. Perguntou por que várias vezes a si mesmo e, a cada indagação, surgiu uma nova resposta, nenhuma definitiva, para o mesmo problema. O que, talvez, lhe era bom. O dia seguiu abafado, e sem sol, e já era noite. Suava e pensava. Suave, pensava, suava. E, naquele dia, pensando e suando, com respostas e sem remédio, os pensamentos tiraram-lhe uma noite de sono.

domingo, 21 de outubro de 2007

Nova versão

Aos três anos de idade, seria cantor não fosse hoje a inabilidade com a voz. Aos cinco anos, seria motorista de ônibus não fosse hoje a impaciência com trânsito. Aos sete, seria arquiteto não fosse hoje a dificuldade em firmar a régua e o compasso sobre o papel. Aos nove, seria promotor de Justiça não fosse hoje a impaciência com o conservadorismo. Aos onze, seria professor de português para ensinar sintaxe não fosse hoje a preferência pela dinâmica da língua. Aos treze, já era o que é, embora ainda não saiba o que vai ser.

Traçaram-se planos, um atrás do outro, bem seqüenciados. Muitos deles eram sonhos, talvez exeqüíveis. Outros, devaneios. Boa parte realizou. Boa parte frustrou. Diante das vitórias e derrotas, optou por seguir sempre, sabendo que perderá, mas ganhará também porque é forte. Não sente medo, mas receio. Sabe ser feliz e, se necessário ou inevitável, sabe ser triste. Prefere, no entanto, a realidade, com os momentos de euforia e disforia, assim como se estrutura o cotidiano.

Hoje apenas é. Por ora, sabe que é incoerente, teimoso, contraditório, intransigente, mimado, fraco, ansioso. Sabe também que é amigo, leal, sincero, bondoso, flexível, simples, íntegro. É menino, é homem. É revolucionário, é conservador. É quente, é frio. É crente, é cético. É torto, é direito. É prosa, e às vezes, poesia. É flor, é espinho. É esquerda, e é plural. Hoje apenas é, apenas será. E um dia, ou em breve, consciente das espirais contínuas, poderá deixar de ser. E assim se faz.

sábado, 20 de outubro de 2007

Em resumo, é simples

Quando se quer, se busca. Quando se busca, se acha. E, se se encontram, chegam à felicidade.

Uma tal aí

Procurou, procura e vai procurar, mas não encontrou a felicidade, por enquanto. Talvez não seja cedo nem tarde para isso. Na verdade, tem muitas dúvidas se, de fato, vai encontrá-la. Mas, caso a encontre e sendo ela boa, vai cultivá-la. Quando perdê-la, por capricho da sorte ou maldade do azar, vai caçá-la novamente até nos confins da terra por que é vencedor. Se ela for feroz, vai domesticá-la e, estando aprisionada, vai forçá-la à satisfação de todos os desejos, os bons ou os ruins.

Por causa de uma ausência doída e também desconhecida, não sabe muito bem o que a palavra felicidade significa. E saciar-se de sentido pleno é substancial. Enquanto a fome persiste, preferiu apenas nomeá-la conforme as expectativas.

Arriscou-se, portanto, à frustração. Por isso, arquivou os sentidos no dicionário e enriqueceu o vocabulário. Lançou-se ao mundo da imaginação, das possibilidades. Fazê-la saltar das idéias compartimentadas para o mundo concreto do caos constitui-se uma meta. Acredita cumpri-la ainda nesta vida.

Disseram-lhe, há muito tempo, que a felicidade é tão somente um sentimento. Outros ensinaram a classificá-la como um estado de espírito, logo efêmero. Alguns, mais pessimistas, quem sabe não o sejam, afirmaram ser só uma ilusão do bem. Concepções maniqueístas demais para um conjunto de sensações tão complexas.

Ora, talvez seja ela a utopia. Desde pequeno, empiricamente, aprendeu que a utopia está nos planos idealizados e, em questão de tempo, ela há de desperta para a realidade. Bem, se é assim, basta esperar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Gargalos do desenvolvimento

William Glauber diz:
a fila anda!
Amiga de Trabalho diz:
ah, a fila andaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Amiga de Trabalho diz:
rápido pra caramba.
William Glauber diz:
certo, faz muito bem.
Amiga de Trabalho diz:
rsrsrs.
William Glauber diz:
Agora, com bilhete único não tem mais essa de embaçar na catraca.

sábado, 6 de outubro de 2007

Eu me lembro deste dia!

http://br.youtube.com/watch?v=S0yY-NGjtsI

Escrito nas Estrelas
Tetê Espíndola

Você pra mim foi um sol
De uma noite sem fim
Que ascendeu o que sou
E renasceu tudo em mim

Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira seu bem
E só morrer de prazer

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
Meu amor, esse amor de cartas claras
Sobre a mesa é assim

Signo destino que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas
Tava sim

Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim

Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
Meu amor nosso amor de cartas claras
Sobre a mesa é assim

Signo destino que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estelas
Tava sim

-*-

Eu me lembro deste dia. Festival de música nos anos 80. Sim, são as lembranças de minha primeira infância. Essa música grudou e fez Tetê rainha. Impagável é o macacãozinho de barbante desfiado da intérprete.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Depende, né, gente!

O Diário do Grande ABC desta quarta-feira (3) traz reportagem com o prefeito de São Bernardo do Campo, William Dib (PSB), para rebater as críticas do ministro da Previdência Social e pré-candidato ao Executivo local, Luiz Marinho (PT). O metalúrgico disse que, ao vender o terreno para a construção do segundo campus da UFABC (Universidade Federal do ABC) à União por R$ 50 milhões, faltava "visão de futuro" ao atual prefeito.

Em contrapartida, o prefeito da maior cidade do ABC Paulista disse que não pode doar algo que não é seu. Ao Diário, ele afirmou que a população não pode abrir mão de R$ 50 milhões. “Se a Universidade Federal precisa da área, que pague”, rebateu.

Dib acrescentou que os cofres públicos da cidade deixarão de arrecadar R$ 20 milhões por ano em IPTU, como se a renúncia pudesse prejudicar um dos maiores orçamentos do País. Além de abdicar do imposto, o prefeito de São Bernardo do Campo disse que a gestão municipal está “fazendo um grande gesto, que é deixar eles [o governo federal] comprarem [a área]”.

Para legitimar a argumentação de que a negociação foi positiva para a cidade, Dib lembrou que ofereceu, como doação, área de 780 mil m² à beira da Rodovia Índio Tibiriçá (isso mesmo, lá na Serra do Mar). “Era o que nós poderíamos. Além disso, foi o reitor da UFABC, Luiz Bevilacqua, que escolheu aquele terreno. Portanto, não me neguei a doar”, disse.

Certamente, faltou ao repórter, ou talvez sobrou à edição, a informação sobre qual a diferença entre o patrimônio municipal. Por que o terreno de 780 mil m² em área preservada e às margens da Represa Billings (e longe da especulação imobiliária) pode ser doado? E por que o terreno no Parque Anchieta, em uma da área central e nobre da cidade tem de ser vendido? Não consigo compreender a lógica da justificativa do prefeito William Dib.

Faltou, sim, perguntar ao prefeito, desculpe-me o atrevimento, por que a área para lá do Riacho Grande é passível de doação, mesmo não sendo dele, conforme argumentou para estabelecer a venda do terreno atrás do Ginásio Poliesportivo à União. Perguntei demais?

Provincianismo

Ainda segundo o Diário, a crítica do ministro Luiz Marinho que classificou de “grande bobagem” o fato de o prefeito alegar que não haveria alunos de São Bernardo foi rebatida por Dib. “Tenho certeza de que nos vestibulares passarão (sic) gente não apenas de São Bernardo, mas de todo o Brasil e até da América Latina”, disse o prefeito.

Ora, é assim em Campinas, com Unicamp, em Ribeirão Preto, com USP, em São Carlos, com UFSCar, e em Botucatu, com Unesp. Oxalá seja assim no ABC e, assim, a região deixará de ser, com 2,5 milhões de pessoas, uma Grande Província.