domingo, 30 de dezembro de 2007

Promessas de Orkut

"Você passará por algumas experiências maravilhosas"

sábado, 29 de dezembro de 2007

Paquera no salão

Não, 2007 não acabou, mesmo. Eu queria fechar este ano e iniciar 2008 com um visual novo. Apenas novo e não diferente porque não é possível revolucionar os meus cabelos, assim como eu faço, quando quero, com minhas idéias igualmente enroladas, quase crespas. Ciente de que deveria aparar os cachos, fui, então, atrás de um salão em Maringá. Eu não tenho referências quando o assunto é meu próprio cabelo, eu corto em qualquer lugar, sem muita distinção, mas com a exigência de sempre.

A primeira idéia foi a seguinte: o cabelo de minha mãe, que mora aqui há quatro anos, está legal, está, digamos, ok. Logo, eu vou cortar com a cabeleireira dela. Após disparar a ligação, a frustração, pois a japonesa competente trata apenas de longas madeixas femininas. Azar o meu, fracasso número 1. Vamos, portanto, em busca de um profissional qualificado, formado em Paris, para dar um jeito em meu cabelo complicadinho de se ajeitar.

A segunda idéia foi: vamos naquela cabeleira que já foi de minha mãe, mas onde mamãe não volta há algum bom tempo. Em uma vez muito passada, a gatchenhah acertou o corte. Ficou ok. Agradou. E eu saí feliz do recinto à beira de um lindo campo de soja – o principal produto agrícola da região, o símbolo da pujança econômica da cidade. Dessa vez, como mamãe não é mais cliente do coração e do bolso, ela não se esforçou nem um tiquinho para me encaixar na fila de atendimento. Disse que só à tarde. Eu disse: Beijo, me liga!

A terceira idéia surgiu durante a volta a uma das inúmeras rotatórias que tornam a cidade uma das poucas planejadas no País. De longe, bem de longe, avistei um centro de estética. Uia, chamou atenção. Agora, sim, uma equipe profissional que me faria virar o ano lindo, esplendoroso e chique. Pronto. Tudo resolvido e de lá sairia com visual, certamente, renovado e diferente. Arrisquei.

O cabeleireiro começou a cortar. Cortava loucamente, aparava aqui, um tanto ali. E cortava. Eu comecei a ficar preocupado, porque parecia não ter um certo critério. Parecia faltar técnica, mas talvez a falta de técnica para o corte justamente fosse a técnica de tal profissional. Pensei, ora. Apenas pensei. Pronto, terminou após eu pedir para tirar mais um dedo de cabelo. É ficou médio. Ficou legal. O cara, então, disse para a mocinha que sorria para mim pelo espelho: agora é só lavar.

Bem, eu muito sério que sou fui lá na cadeirinha com chuveirinho lavar, tirar os cabelinhos que pinicam o pescoço, sabe? Veja bem, fui lá sério muito sério, sem muita abertura, sem muita intimidade. Ela começou, juro, a fazer massagem erótica em meu couro cabeludo. Tudo bem, a moça era simpática e bonitinha, mas não faz definitivamente meu gênero.

Vamos ao diálogo:

Luzes mel no cabelo diz: “Está calor aqui, não?”.
Eu: “Demás!”
Luzes mel no cabelo diz, de novo: “Agora é fim de ano!”
Eu: “Lota muito (tipo, o salão, né, loira?)”
Luzes mel no cabelo diz (uma tonta): “Demais, a cidade ontem estava cheia. Saí e não consegui lugar pra sentar em bar.”
Eu (desconfiado de uma indireta): “Ah, eu não sou daqui, não.”
Luzes mel no cabelo se surpreende: “Ah, não??? De onde?”
Eu, enfadado: “São Paulo.”
Luzes mel no cabelo insiste: “Veio passear?
Eu, seco: “Visitar meus pais.”
Luzes mel no cabelo: “Eles moram onde?
Eu, pensando ‘termina logo essa merda, lava logo e pare de falar’, digo: “Jardim Paris.”
Luzes mel no cabelo, sim, feliz, constata: “Eu também!”
Eu, cansado: “Legal.”
Luzes mel no cabelo elogia: “Seus cabelos são bonitos. Você usa condicionador?”
Eu, dando a deixa: “Xampu, condicionador e mais um monte de cremes. E perfume francês, sacou?”
Luzes mel no cabelo, em vez de entender, empolga-se: “Nossa, cheiroso mesmo!”
Eu, puto: “Terminou?”

Aff, senhor. Quanta chatice. Quanta pergunta sem noção. Quanto xaveco furado. Quanto... Quanto... Quanto... Meu deus. Terminado o corte, ela pega o espelho e tenta, porque não consegue, me mostrar como ficou atrás o cabelo. Eu vou dando as coordenadas para poder ver o estraçalho que fizeram em meus cabelos complexos, deprimidos, reprimidos e neuróticos. Assustei. Ela, desengoçada, mas bonitinha diz: “Não acerto, porque você tem os ombros muito largos, você é muito grande!”... Ah, chega, basta. De canto de olho, mamãe vê um rabinho estilo Menudos, anos 80 total, e denuncia: “Assim, ele não vai gostar e vai querer voltar para arrumar.” Voltar jamais!!! Vamos tentar melhorar já! Fui conduzindo a mocinha... “Corte aqui, um pouco mais, ajusta, acerta, finaliza”. Isso, ficou ótchemoh!!!

Ficou ótchemoh uma pinóia. Chego em casa e Lu, minha prima, boa cabeleireira afetada pela tendinite me diz: “William, o que fizeram com seu cabelo?”... Eu, quase com uma lágrima no canto dos olhos, digo: “Não sei. Sei que erraram, né?”... Sim, erraram. Tudo desigual, tudo diferente. Senhor, Lu, com paciência, tesourinha, sem borrifador, salvou minha vida, salvou 2007, salvou o visual de 2008. Agora, vou dormir mais tranqüilo. Salve, Lu, que não tem luzes no cabelo. Jesuis!

Planos e mais planos

Uma amiga muito especial, certa vez, disse-me que me sobram planos, de todas as cores e tamanhos. Tenho de concordar, porque, em meio a pensamentos delirantes, traço muitas metas, sonhos, projetos. Sigo a lógica de que quanto mais eu sonhar mais eu vou realizar e mais eu vou deixar de realizar também. Se eu sonhasse de forma comedida, no entanto, eu teria realizado muito menos do que eu já conquistei até aqui.

Assim como quando da virada do ano passado para este ano, traço hoje, a 72 horas de 2008, os dez desafios a serem executados nestes próximos 365 dias, das próximas 8.760 horas. Colocar os devaneios no papel, ou em qualquer lugar semelhante no qual se registrem idéias, foi bom, porque, neste ano, tornei realidade boa parte das vontades ensaiadas em 2006.

Sei apenas que, com cautela, ainda neste ano não fiz o curso de artes cênicas, não me preparei suficientemente para a carreira diplomática, faltei aos exames vestibulares para o curso de ciências sociais e não prestei o mestrado. Desisti também de algumas metas gritantes, emergenciais. Acho que a candidatura para a Presidência da República continua a esperar pelos anos pares de 2010 ou 2014. Tudo vai depender da conjuntura política, econômica e cultural para o País me aceitar. É, porém, questão de tempo.

Vamos às metas para 2007:

1 – Ler, estudar, estrutura projeto, prestar e passar no mestrado (idéia descoberta em 2007 e 2008 apresenta-se à continuação de planos);

2 – Desencalhar;

3 – Estabilizar-se na carreira, acreditando na importância da constante reciclagem profissional e, sobretudo, humana no fazer jornalístico;

4 – Apaixonar-se;

5 – Pegar firme no inglês e aprender francês;

6 – Amar;

7 – Trocar de carro, afinal a Volkswagen pretende tirar, em 2008, o Gol, o melhor carro do Brasil, de circulação;

8 – Rir a vontade, dançar mais e beber mais com os amigos; freqüentar mais o cinema e pegar mais umas peças de teatro; ler mais literatura;

9 – Ganhar, comprar, adotar um labrador chocolate;

10 – Ser feliz, e muito.

Pronto, mãos à obra!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ainda não acabou

Acredito que a “festa estranha com gente esquisita” no Conexión Caribe, na Vila Madalena, São Paulo, mereça um pouco mais de riqueza nos detalhes em um novo post. A proposta era simples e consistia de uma cervejinha com Luciele e colegas depois um dia de trabalho. Servia também para brindar o último dia de serviço, o último dia útil. Seria, portanto, uma forma de dizer adeus a 2008, uma vez que logo cedo partiria para Maringá, onde estou agora derretendo por causa do calor.

O primeiro destaque da noite foram os seguranças que hablán portunhol. Mas, além do dialeto próprio, merece congratulações a recepção calorosa e simpática. “Se ustedes estan achando caro, pueden ir a otra casa latina en la Vila Madalena que fica a duas quadra de a cá”, disse um dos chicos em resposta ao nosso sonoro: “Nossa, hoje é quinta-feira e a casa está vazia, logo R$ 15 de entrada com direito a duas Skols é valor um tanto alto para gente. Rola desconto?”... Tudo na ingenuidade, no gracejo e na alegria, gente. Não precisa dar uma dica tão grosseira. Pois bem, fizemos as contas, tínhamos condições de seguir e entramos.

Eu, na verdade, não queria entrar, não. Queria mesmo as duas Skols bem geladas porque eu estava com muita sede e também queria a companhia das pessoas divertidas do entorno. Entrei com passos firmes no chão porque não conheço a estrutura da casa. Gente, é diferente da Bubu, onde eu conheço cada degrau e que, por isso, mesmo alcoolizado, nunca tropecei, muito menos fui ao chão.

No Conexión, fui firme a admirar também a decoração um tanto peculiar do ambiente. Reparei cada detalhe: as janelas, as portas, os quadros, as bandeirolas dos países latino-americanos, as caixas de som antigas, os retratos de Che, os ventiladores sujos. O cenário, embora lá nunca estive, remetia-me a sensação de estar na Ilha do companheiro Fidel. Ou seja, é isso mesmo: faltava tecnologia. Pronto, falei. E, de cara, atentei também ao som: merengue, salsa, mambo e muito mais... Entrei a bailar! Ariba!

A timidez, de início, tomou conta e imaginei ser incapaz de conseguir dançar. Pois bem, puxado por Valéria, uma mulher divertidíssima que saiu acompanhada de um afro-e-tanto, soltei-me a sacolejar o esqueleto pelo pequeno salão, praticamente uma sala de estar de uma casa média, cortada por uma pilastra. Dancei com ela, com Lu, com Dri, com Verônica. Dancei com todo mundo. Fui paquerado por uma distinta senhora loira quarentona e choquei. Gostei muito foi do cabelinho curtinho vermelhinho de uma tiazona que se expunha na medina.

Nas idas e vindas ao banheiro, um esbarrão aqui, mais uma cervejinha ali, um papinhos com moçoilas fashions também. Era gente de tudo quanto era jeito. Era gente de tudo quanto era cor. O ambiente aos poucos foi ganhando contornos de celebração da diversidade dos povos. Só ali, eu ouvi cinco línguas diferentes: português, espanhol, francês, alemão e inglês. Juro que poderia ouvir também guarani. Juro. De fato, questionei se estávamos na Conferência da ONU, diante tanta diversidade, ou em qualquer Fórum Social Mundial, devido ao tom vermelho do ambiente, carregado por homenagens ao Che, e também por causa da presença de jovens barbudos e de óculos com armação preta, provavelmente estudantes de História ou Ciências Sociais da USP.

A decadência da noite foi encontrar um ex-BBB. Sim, era um ex-BBB, da TV Globo. Gente, é muito triste ter um fim assim sendo tão jovem. Ninguém, ninguém sequer recordava o nome do rapaz. Só se sabiam algumas referências esparsas do tempo da fama, como, por exemplo, o fato de ele ter nascido em alguma ilha francesa e viver no Brasil, ter ficado com uma negra que participava da edição e ser cabeleireiro. Ninguém sabia mais nada. Nadinha, pessoal.

A noite foi divertida. Como sempre digo, se não foi boa, ao menos foi uma experiência antropológica. No fim, uma paradinha básica para aquele lanche dividido com Luciele, uma Coca... E, na volta, janelas abertas, cabelos ao vento e Maria Bethânia, tendo de respirar no fundo do mar, nos ouvidos. É... Tá bom, vai. Tudo bem. Foi bom e divertido demais!

Acho que agora acabou!

O ano de 2007 acabou hoje, decididamente. Não sei bem o porquê, mas, depois de um longo dia prazeroso de trabalho, com direito a papo agradável, fui parar com amigos no Conexión Caribe, na Vila Madalena. E, dançando mambo, salsa e merengue, fiquei amigo de meio bar e elogiei garotos e garotas. Ganhei beijinhos de um montão de gente. Fiz novas amizades. Por fim, saí de lá alegre e suado, segui Luciele, toquei o caminho na companhia compulsiva de Bethânia e cheguei somente agora à minha casa. Bom demais. Isso, sim, é sucesso!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Só sucesso!

Como faço em todos os períodos de festas, coloco-me hoje a recordar os principais acontecimentos pessoais de 2007 e, desse modo, traçar um balanço das realizações e também elaborar as metas para os próximos 365 dias. Ao lembrar mês a mês, contabilizo uma série de conquistas para um ano que, de tão rápido, pareceu curto. Da conta feita na ponta do lápis, restam-me motivos para comemorar.

Posso relatar, em ordem inversa, a surpresa de trocar a assessoria de imprensa da CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores) pelo novo trabalho como redator em Metrópole, de O Estado de São Paulo. Retornar a uma redação, e de um grande jornal, trouxe novas expectativas, principalmente para o ano que se insinua a aparecer em poucos dias. Além disso, sair do Diário do Grande ABC para a CUT-SP também foi uma grande realização, projetada ainda em 2006.

As dúvidas sobre o futuro acadêmico chegaram ao fim este ano e agora eu tenho praticamente um projeto de vida definido. Bastam coragem, determinação, força e, sobretudo, auto-confiança para executá-lo em 2008. A terra, neste momento, é preparada para o plantio e, em breve, vou celebrar a colheita de tempos de fartura com mais um degrau superado.

A liberdade foi conquistada. Este foi o ponto máximo de felicidade e dor. Eu nunca imaginei que a liberdade pudesse doer tanto. Doeu. E doeu demais. Parecia, em meio à angústia, uma dor sem fim, uma dor sem remédio, uma dor sem cura. A sensação de desnorteio, desespero, aflição foi eliminada, aos poucos, por um sentimento de alívio inigualável. Uma liberdade sem fim que hoje não abro mão de desfrutá-la.

Entre outros acontecimentos bons de 2007, cito o casamento de Cris e Albert. A responsabilidade de ir ao altar de uma igreja e testemunhar diante de deus e da comunidade a união dos amigos foi grande, enorme. Momentos de felicidades indescritíveis, com direito a muita festa regada à espumante, comida de qualidade e forró. Euforia aos pés de inúmeras mulheres registrada em papel.

Além disso, depois de muito trabalhar, sem descanso, emendando um emprego no outro desde a Alta Astral, em Bauru, tive direito às minhas tão merecidas férias. Desde 2003, passei pela editora, Agora São Paulo, Curso Estado de Jornalismo, O Estado de S. Paulo e Diário do Grande ABC sem nenhuma pausa digna. E, neste ano, por 30 dias aproveitei cada dia de ociosidade. Na realidade foi tempo de agito, com direito à folia em João Pessoa, Olinda e Rio de Janeiro, durante o Carnaval, e dias à beira-mar na Bahia.

Por falar em festa, foram muitas as baladas, os barzinhos, os momentos de diversão com os principais companheiros baladeiros de sempre. Ponto positivo para Thiago, Leandro, Renata, Caco, entre outros. Ponto positivo para mim também que aprendi, sem medo, a sair sozinho. E mais um ponto positivo para a Piky que se jogou na noitada de São Paulo comigo.

O ano de 2007 termina, restam apenas as lembranças de um dos melhores anos de minha vida. Aguardem: 2008 há de ser muito melhor.

Letícia é rainha

"O governo do presidente Lula optou por um modelo de desenvolvimento neocolonial que, dando continuidade à tradição de realizar grandes obras para marcar seus mandatos, sacrifica o povo com o custo de seus empreendimentos, enquanto o que esperávamos deste governo era a prática de uma verdadeira democracia."
Letícia Sabatella ao deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

É difícil?

Será que algum pauteiro, repórter ou editor já parou para se perguntar quais são as razões técnico-políticas, e não filosóficas, religiosas ou ambientais, para a greve de fome do bispo de Barra, dom Luiz Cappio. Eu gostaria de ler alguma reportagem, mas isso não verei, que mostrasse como se sucederá de fato a divisão das águas da transposição do Rio São Franciso. Considero a obra emergencial, mas acho que tomar conhecimento de seu uso (político) no Nordeste, é mais importante agora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Aos amigos

Eu poderia dizer que o período de festas de fim de ano é carregado de clichês. Eu poderia reafirmar também que hoje o Natal tem seus valores deturpados pela lógica capital-consumista. Eu poderia considerar ridículos todos os enfeites que brilham pelas cidades, a neve artificial e o velho gordo e barbudo vestido de vermelho. Eu poderia execrar todos os desejos fúteis e os sonhos das crianças mimadas que esperneiam nos shoppings. Eu poderia lamentar as lágrimas das crianças que choram a fome, a dor, a ausência, a miséria e a injustiça.

Eu poderia também criticar o egoísmo que tem cegado o ser humano. Eu poderia me indignar com o aquecimento global. Eu poderia xingar todas as autoridades que barram os processos de paz. E eu poderia gritar contra a mediocridade. Eu poderia estapear aqueles que, embora mintam, afirmam, em estado de euforia, que está tudo 'ótchemo'. Sim, eu poderia. Poderia tudo o que quisesse.

Mas agora, meus caros, eu não quero dizer mais nada. Quero apenas pedir. Eu quero pedir a você que aproveite o espírito sentimental do período natalino e esperançoso do Ano-Novo para renovar, para melhor, os seus valores. Quero, portanto, pedir que, em constante reflexão, você se esforce para ser feliz, amar mais e exercer a empatia.

Quero pedir a você que abrace seus familiares, beije seus queridos e abstraía seus inimigos, porque eles existem, mas devem ser mantidos na insignificância. Quero pedir também a você que relaxe, desapegue-se do trabalho e sorria mais. Quero pedir a você que cante. E também dance, mesmo sem saber, porque, nesta época, ninguém vai rir de você. Quero pedir a você que desfrute de viagens, mesmo as imaginárias ou as transcendentais. Quero pedir a você que no caminho de ida abra os vidros e permita-se enxergar o mundo, ele é bom e ruim. E, ao constatar, eu quero pedir a você que chore mais, mas nunca deixe de sorrir.

Eu, por fim, quero pedir a você que se lembre de mim, porque eu, em algum momento, lembro-me carinhosamente de você.

Chicabon

Dani Freitas, que, se não me falha a memória, foi candidata à loira do É o Tchan! e atuou dignamente em alguma banda baiana, agora é showrnalista, minha gente. Ontem, rondando a cidade, convidei à minha sala o Amauri Júnior e equipe. A gata veio junto. E toda a festa dos 65 anos de sucesso, venda e sabor de Chicabon, da Kibon. Dani era a repórter que tinha a missão de perguntar a Rodrigo Santoro, Adriane Galisteu, Lázaro Ramos, e muitos outros, "qual a importância do sorvete em sua vida". Prêmio Esso.

Fantasia: Fluminense X Flamengo

O retorno ao ar de Fantasia, no SBT, trouxe à tona uma série de lembranças das tardes desocupadas da adolescência. Lembro das primeiras edições do programa sob o comando de Adriana Collin – hoje, após progredir no plano de carreira, cargos e salários, assistente de palco de Faustão –, Jaqueline Petkovick – apresentadora, cantora, atriz, modelo e dançarina.

Abrilhantaram o palco também mais algumas outras, entre elas a sem-terra de Playboy e Amanda Françozo, que, antes da fama, misturava-se às meninas de biquínis. O programa menina dos olhos de Silvio Santos também foi apresentado por Carla Perez, ex-É O Tchan!, mulher do Xandy, do Harmonia do Samba, e hoje mãe de duas criancinhas lindinhas de morrer. Só sucesso!

Fantasia é uma pérola. Não, Fantasia é um colar. Primeiro porque o programa voltou ao ar na madrugada, quando todo o mundo dorme. Segundo porque, nesta nova versão, o telespectador, para ganhar uns trocadinhos, tem necessariamente de pagar mico. Quando entra no ar, ele tem de gritar: “Eu sou fã do SBT!” E o apresentador Caco ou Hellen retruca: “E eu sou seu fã!” Aí, nesse momento, os familiares, como em caravana, berram todos juntos e comemoram o primeiro passo para a riqueza: a conquista de R$ 100.

E, em se tratando de vexame, uma telespectadora do Estado do Rio de Janeiro arrasou nesta madrugada (19). Após dizer que era “fã do SBT”, ela respondeu ao tal do Caco quer era do Rio. Ele festejou: “Eba, uma fluminense!” Ela enfurecida rebateu: “Flamenguista!” Caco tentou argumentar: “Mas quem nasce no Estado do Rio de Janeiro é fluminense, não é?” Ela intransigente reafirmou: “Mas eu sou flamenguista!”... É ou não é?... É. Ela é flamenguista. É Fantasia no ar!!!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Hoje eu procurei, mas onde está?

Eu te procurei e, a fim de te achar, segui cada passo abandonado que minha imaginação trilhou só por ti. Eu te procurei, e fiquei sem fôlego. Eu te procurei, e senti sede. Eu te procurei, e tive fome. Eu te procurei, e senti frio. Eu te procurei, e tive calor. Segui, sim, a primeira rua qualquer só para te procurar na esperança de te achar. Ciente de que te acharia, não temi nada porque, quando te encontrar, descobrirei que o medo é vão. E novamente eu te procurei, e, para te achar, atravessei uma larga avenida e, no meio, fechei os olhos. Mais uma vez entreguei-me aos devaneios.

Eu te busquei. Busquei-te na insegurança do tímido, no sorriso do cafajeste, no olhar do saliente, na soberba do arrogante, nas rugas do mais velho, no molejo do extravagante, na curva do fútil, no gole do fraco, no beijo do desconhecido, no abraço do carente, no vermelho do incerto, no copo do oferecido, no colo do sincero. Eu te procurei nas listras, nos sons, nas luzes. Sem ainda te encontrar, eu te procurei entre as gôndolas do supermercado, na fila do banco, nas poltronas do cinema, entre os livros da faculdade, ao lado no trabalho, no terminal de ônibus, na estação de metrô, no branco e no preto, e ao dirigir e sempre seguir.

Eu te segui, sim. Segui cada passo. Acompanhei, sim, o trajeto torto e errante, e descompassado. Quando ao teu encontro, pensei voltar e desisti. Mais uma vez, no entanto, decidi apenas seguir e, assim, certamente, cedo ou tarde, encontrar-te. Eu, na verdade, procurei. E procurei mais. Procurei-te na manhã da primavera, no entardecer do outono, nas noites de lua cheia e nas tardes de verão. Eu procurei mais. Não se sinta por satisfeito ainda, meu caro, porque eu procurei nas letras cursivas de cadernos, nos rabiscos desinteressados, nos balcões de bares, nas mesas de restaurantes, nos bancos de parques, nas praças de cidades. Eu te procurei, sim, meu caro.

Eu sonhei. Delirei por diversas vezes ter te achado. E te achei na praia, e te achei na fazenda, e te achei na missa do interior, e te achei na ilha deserta, e te achei em varanda de apartamento, e te achei no carnaval da solidão, e te achei no escuro da dança, e te achei no medo da morte, e te achei no raiar do dia. Não, não. Não te achei ainda. Achei, de fato, vários que nada têm a mudar. Eles, meu caro, não abalam estruturas, não derrubam paredes, não suspendem no ar. Eu te procurei em todos eles. Eu te procurei por todo o mundo. Eu insisti, e eu te procurei. Não te encontrei. E, ainda sem te achar, eu simplesmente te procuro, certo de que ainda, aqui ou ali, eu vou te encontrar. Espere por mim.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Tirando o atraso

Mudei de trabalho. Agora não sou mais assessor de imprensa, pulei o balcão e voltei para redação. Logo a vida ficou mais agitada, mais corrida, mais estressante e, conseqüentemente, menos sociável. Por tudo isso, durmo mais e estendo o dia madrugada a dentro. Se desapareci, é momentâneo porque, em breve, estarei de volta.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Achados e perdidos 2

Escolheu a melhor roupa para si e para o mundo após um longo banho, perfume francês e creme condicionador para os cabelos. Até chegar à decisão acertada, foram minutos de indecisão frente ao espelho entre uma camiseta e outra. Talvez o ideal fosse uma camisa. O restante do conjunto, no entanto, definiu-se rapidamente em calça jeans, como de costume, blazer camurça e All Star azul. Ao fim, optou pela camiseta vermelho carne abençoada por todos os santos, mas naquele dia nem reza brava ajudaria.

Antes de descer as escadas às pressas, aflito e atento ao relógio, impaciente a qualquer possível atraso, checou mais uma vez a combinação. Ok. Pronto, perfeito. De leve, sentiu insegurança e previu desentendimento. Decidiu enfrentar porque não seria a primeira nem a última tentativa. Tenta, tenta, tenta e não desiste nunca, embora a insistência seja exaustiva. Acredita ainda encontrar a felicidade ao virar a rua à esquerda, no balcão da padaria ou no semáforo da próxima esquina. É um tolo porque vai consumi-la e por ela ser consumido.

Correu ao carro que já na rua esperava pela partida. Novamente fitou-se no espelho. Ajustou o cabelo e as sobrancelhas. Sim, estava tudo certo até ali. Puxou o cinto de segurança. Deu partida. Engatou a primeira e saiu em disparada. Para encurtar o caminho, esquematizava inutilmente as melhores rotas alternativas ao trânsito de um dia atipicamente caótico. Escravo do pensamento e da tradição, seguiu as trilhas de sempre. Mentalizou apenas uma rapidez que arrastava o tempo. O esforço revelou-se em vão.

Esbarrou-se com o trânsito e, por alguns minutos, ficou agarrado. Apesar disso, apresentou-se pontual e, conforme o combinado, lá estava impreterivelmente no horário marcado. Esperou. Esperou. Esperou. Ainda espera, talvez. Bastaria uma resposta. Os minutos avançavam e continuava à espera. Por alguns instantes, a irritação culminou em ímpeto de ir embora.

Contra si, resistiu à tentação e, sobretudo, ao orgulho, mesmo sabendo que noutro lugar seria ilusoriamente contemplado pelo desejo recíproco. Ficou e bom tempo depois encontrou corpo mas perdeu a alma. E, depois de tanto, restou-lhe tão somente um olhar piedoso. Ao eliminar as dúvidas e buscar clareza, levanta-se e espera, mais uma vez.

Achados e perdidos 1

Chega tarde, dorme tarde, acorda tarde. Criou o tempo e, em labirinto traçado pela vida, perdeu-se em infinito sem hora, por enquanto, para chegar. Hoje, embora aparentemente determinado, não sabe ainda aonde vai nem de onde veio. Há quem diga que é forte, mas sabe que vacila. Prefere acreditar na destreza das ações, mas continua inábil à felicidade plena, que piamente acredita encontrar nas minúcias dos gestos, jamais na grandeza do poder. E ainda não encontrou certeza alguma.

Em busca de sentido, atola-se em dúvidas. Titubeia na composição de cores primárias ou neutras, na escolha de símbolos, no resultado de combinações simples e corriqueiras. Pergunta-se, com dúvida, se deve prosseguir com elas. E, mesmo em dúvida, opta pela incerteza até o último suspiro. Duvida de si, duvida de Deus, duvida dos pais, duvida dos amigos, duvida dos ideais, duvida das paixões, duvida da vida. Põe em xeque à própria existência para se certificar de cá está. Mesmo com tantas perguntas, permanece sem respostas.

E, sem respostas, frustra-se com desejos abortados e às vezes se esquece que já abortou desejos de demais. Sabe que é egoísta e, por isso, tortura-se, entristece e lamenta-se. Por vezes, tem comportamentos repugnantes. Insistentemente na reprovação, deseja também a banalidade e, quando se dá conta das ambições medíocres, lava a face com água gelada para, na verdade, despertar de pesadelo. Chora, chorou e sempre vai chorar quando sentir vergonha, medo e dó de si mesmo.

De tanto querer, boa parte conquistou, tem. Sabe que vai conquistar muito mais e que vai perder também. Na derrota, ao juntar os pequenos pedaços, sempre encontrou motivo para retomar rumos. De tudo, apenas se pergunta se basta apenas buscar. Sente-se cansado das metas mesquinhas e, de tal forma, persiste em encontrar as razões nobres. Elas estão projetadas em rascunhos a lápis, em folha de papel branca. Sabe que resta executá-las, cedo ou tarde.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Cegueira

"Pare de procurar eternamente. A felicidade está bem ao seu lado", revelaram-me forças ocultas.

Cheiros e sabores

Acordei com canto de passarinhos, ao som de uma chuva levemente barulhenta na janela e com cheirinho de café no ar. Desta vez, não era tarde. Despertei cedo, embora o clima recomendasse alguns minutinhos a mais enrolado nas cobertas. Como de costume, abri primeiro o olho esquerdo. Não sei o porquê deste hábito, só sei que é assim todas as manhãs. Os cabelos embaralhados assustam-me diariamente diante do espelho, e sempre foi assim também.

Alegre, não sei por que motivo, fui ao banheiro sorridente. Abri a torneira, juntei as mãos, enchi de água e levei ao rosto inchado, como sempre. Lavei a face, escovei os dentes, voltei ao quarto. Enquanto o cheiro de café perdia a força, escolhi a melhor roupa. Uma composição comum. Calça jeans, camiseta pólo, um tênis moderninho e uma jaqueta, sempre em tons sóbrios. Nunca nada em exagero é permitido. Pronto, desci as escadas vagarosamente, meio dormindo, meio acordado.

Dei bom dia a quem encontrei pelo caminho até a cozinha. Vi Rosas, deitada no sofá, como sempre, e às quintas-feiras trombava com Marias. Tradicionalíssimas, respondiam por suas funções ordinariamente. No entanto, naquele dia algo diferente estava no ar, era café, chuva e canto. Elementos que, em conjunção, riscavam um riso de orelha a orelha em meu rosto sofrido que, embora alegre por momentos, carregava a dor de carências, desilusões e ausências.

Tomei café, só porque ele me esperava desde a hora em que saltei. Em tranqüilidade, coloquei os pães na chapa. Esquentaram e, em seguida, com uma faca de cabo verde fosforescente passei manteiga nas fatias ainda bem quentes. Rapidamente elas esfriaram. Era a chuva acompanhada por café e canto de pássaros que vivem livres. Um copo de leite com chocolate completou a primeira refeição. Retirei-me da mesa e fui à sacada admirar o jardim. Olhei bem as lindas flores coloridas, respirei fundo porque era ar puro e senti-me preparado para seguir. Corri.

Peguei a bolsa de couro legítimo. Juntei alguns papéis e organizei-os dentro de uma pasta. As canetas foram jogadas em algum dos vários compartimentos da velha bolsa desgastada, mas, veja bem, de couro legítimo. Fechei a porta, abri o portão. Sentei, coloquei o cinto, olhei mais uma vez para o espelho e o cabelo agradava. Parti.

Admirava o caminho e, na primeira virada de esquina, senti um forte cheiro de mato. O dia anunciava-se, então, perfeito. Logo cedo já havia tido o canto do pássaro, o barulhinho da chuva na janela e cheirinho de café no ar. Ah, era tudo tão natural não fosse o tudo um sonho e o cheiro de mato, a grama aparada do canteiro central de uma larga avenida sem ar puro, sem cheirinho de café, sem cantarolas de pássaros livres e com uma chuvinha incômoda que pela manhã intensificou o engarrafamento pós-feriado e atordoou o meu dia que nunca, nesta rotina, anuncia-se perfeito. Espero este dia ainda chegar. E ele está logo ali que eu sei.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Embriagado em goles de amor

Você nasceu pra mim
Eu nasci pra você
Eterno amor
É sempre assim que deve ser

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sua chance

Pede pra sair! Pede pra sair, caralho! Pede pra sair, seu filho da puta!

Pretensão

Eu tenho certeza de que vou deixar algo marcante neste mundo.

Sem chance

Nunca serão. Nunca serão, senhor!

Marcha

O movimento negro organizado realiza nesta terça-feira (20) a IV Marcha da Consciência Negra. Como afrodescendente e consciente das mazelas do racismo cruel existente no Brasil, eu compareço. Sempre juntos por um Brasil sem Racismo, Machismo e Homofobia, às 10h, na Avenida Paulista.

Estereótipos de guetos

Ao rondar pela noite paulistana, coloquei-me a pensar se de fato todos ou a maior parte dos freqüentadores dos tradicionais guetos incorporam o estereótipo de bem-sucedidos e fashions, como se impôs acreditar. Concluí que os mitos precisam ser desconstruídos urgentemente e não faltarão argumentos para derrubá-los efetivamente.

Existem espaços que concentram, sim, aqueles bem-sucedidos profissional e financeiramente que, por isso, vestem-se com estilo e recorrem principalmente às grifes famosas para compor o visual. Em cinemas, lojas, shoppings, bares, restaurantes, casas noturnas, todos localizados no eixo Consolação-Jardins-Pinheiros (no máximo, Perdizes e Lapa), desfilam imponentes. Leve ou pesadamente arrogantes, eles flanam pela Avenida Paulista.

Como elite não é grande e concentração de renda não poupa orientação sexual, boa parte destes novos ricos torram todo o salário em aluguel de apartamento que dividem com muitos amigos na região da Bela Vista, Jardins ou Consolação. A renda mensal também se contorce para dar conta das baladas, do cinema (alternativo) e do táxi. Ok. Legal. Alguns lêem bons livros, assistem a bons filmes, têm diploma superior e são, sim, interessantes.

E é justamente aí, quando se pensa em mundo gay, que o senso comum reforça alguns mitos. Gay é assim, ó: tem entre 25 e 30 anos de idade, é formado em Letras, Comunicação Social, Psicologia, Arquitetura ou Moda, ganha relativamente bem, tem carro, fala mais de dois idiomas além do português, bonito, malhado, divertido, bem-vestido, rodeado de amigos (gays e mulheres).

Vamos aos fatos. Será que o senso comum nunca parou para pensar que os meninos podem ter de 10 a 70 anos de idade, ser formados em Engenharia, Direito, Administração, Medicina ou, até mesmo, analfabetos, ser mal-remunerados, andar a pé, não dominar nem mesmo o português, feio, magro ou gordo, chato, mal-vestido e, por muitas vezes, nem sequer ter amigos? Cruel, não? Mas, na verdade, a vida é assim.

Contra os estereótipos, viva a diversidade.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dib (de novo)

Das sete cidades do Grande ABC, cinco instituíram feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. A data representa historicamente comemorações à memória do principal líder de resistência à escravidão no Brasil, o verdadeiro herói Zumbi dos Palmares. O movimento negro resgata o dia para reflexão e ação a fim de tornar a sociedade brasileira mais justa e igualitária quando da oportunidade a negros e a brancos. Embora seja existam milhares de argumentos que sustentem a importância do Dia da Consciência Negra, o prefeito de São Bernardo do Campo, William Dib (PSB), disse que o feriado atrapalha a economia por fechar o comércio e, além disso, é preconceituoso. Eu prefiro Zumbi dos Palmares e ainda espero um mundo novo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Preste atenção!

"Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó"
Cartola

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Crédito na praça

A liberdade tem alto custo. Paga-se bem pela mercadoria pronta entrega. Em nome do espetáculo do crescimento, vale a pena fazer economia e bancar à vista. Receba em troca a felicidade em casa embrulhada em papel celofane com laço de fita vermelha.

Eu cumpro...

Prometo porque você confia em mim. Cumpro porque acredito em você. E, de todos os modos, sabemos que é pra sempre porque amor-amizade é simples assim.

domingo, 4 de novembro de 2007

Filosofia de boteco 1

Do amor e do trabalho

A trajetória sócio-histórica dos conceitos amor e trabalho explicam a centralidade ocupada atualmente por elementos tão distintos. A vida do ser humano contemporâneo pauta-se por questões aparentemente desconexas, mas que, mal-resolvidas, condicionam o bem-estar à frustração, angústia, sofrimento, entre outros sentimentos. Conciliar o equilíbrio entre amor e trabalho revela-se substancial para a realização individual devido às pressões coletivas.

E as pressões começam a exercer influência logo na primeira infância quando das projeções sociais impostas aos filhos pelos pais. Em “Brinquedos”, da obra “Mitologias”, Roland Barthes disserta sobre a constituição da criança como o adulto em miniatura. Desde cedo, as crianças são condicionadas às aspirações da vida social a partir de questionamentos como “o que você vai ser?” e “quantos filhos vai ter quando crescer?”.

A centralidade do amor e do trabalho jamais esteve na vida do ser humano, como hoje se apresenta. Na Europa da Idade Média, a religiosidade ocupava o espaço central das sociedades cristãs. Na Grécia Antiga, política e estética eram os paradigmas. Atualmente, valores baseados na liberdade deslocam o eixo central para o amor (o prazer) e o trabalho (o ter). São as transformações referenciais, a ruptura de tempo e a superação de paradigmas que apresentam novos conjuntos de valores sociais. Valores humanos são social e historicamente construídos e, portanto, desconstrui-los é um dever crítico.

Hoje o ter e o prazer são fetiches da sociedade (pós) moderna. O trabalho possibilita o ter, e o amor realizar o prazer. Conquistar a plenitude de ambos os elementos na vida cotidiana desperta, invariavelmente, o mais mesquinho dos sentimentos de complexo de inferioridade àqueles que não os têm. O fraco, e, sobretudo, acrítico, mergulha na dor da inveja. A mentira-dissimulada é outro mal que se revela dessas projeções competitivas, pois o “trabalhador bem-sucedido” e “plenamente amado”, em auto-defesa, pode forjar uma farsa de uma vida (inexistente, apenas aparente).

O fato é que o homem cobra de si mesmo, vezes sem saber o porquê, uma realização no trabalho e no amor para atender às exigências externas. As cobranças conduzem à ansiedade por conquistar um modo de vida paradigmático que, assim elaborado, torna-se o único referencial de satisfação e felicidade. Ser feliz hoje, embora possa discordar veementemente, significa conquistar (o ter) bom trabalho, com reconhecimento coletivo e sucesso, e vivenciar o amor (o prazer). Quem se priva ou é privado da sensação do prazer sofre e questiona-se diariamente por que ainda não possui o ser a ser amado ou o trabalho invejável.

Os modos de produção dos bens e também dos sentidos alicerçam-se, queira ou não, nesses paradigmas. Compra-se a felicidade, paga-se bem e o binômio da existência contemporânea quer-se, assim, amor-trabalho. Sente-se no divã e conte todos os problemas: amor e trabalho, em forma e conteúdo. Agora responda: tem certeza de que está tudo bem com você? Como todos os fracos, recomendo que apenas chore.

Logo mais

À tarde, prometo postar dois textos importantíssimos. O primeiro tratará da centralidade do amor e do trabalho na contemporaneidade e o segundo apresentará o balanço do fim de semana. Vale a pena aguardar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pessoas (ideais) para amar

A pergunta surgiu quando eu acreditava já não ter mais nada a questionar. Ao me questionar se não tinha mais dúvida alguma, constatei que o mundo inteiro ainda se mantinha à espera de minhas perguntas desconfortáveis. Enquanto as respostas não chegam, eu poderia tranqüilamente ficar na varanda daquela velha casa de tijolinhos à vista dos tempos da infância, sem nada para fazer, só a pensar. E, de frente ao maltratado jardim de sempre, perguntaria todos os porquês da vida. E, nesse instante, o porquê de tudo se resumiria à incerteza sobre a existência ou não de pessoas ideais para se amar. A pergunta pontiaguda, eu confesso, me incomoda.

Afinal, existem ou não homens e mulheres ideais para ser amar? E sobre qual espécie de amor eu especulo? A princípio, poderia listar uma série de qualidades que concederiam a ele ou a ela o título de “pessoa ideal para se amar”. Diria, para argumentar em defesa dessa tese, que beleza é fundamental, parafraseando o poeta. Talvez não seja. Acrescentaria que inteligência é afrodisíaca (aos feios). Talvez não seja. Padrões estão constituídos, e beleza, inteligência, cordialidade, elegância, poder, entre muitos outros, deveriam ser todas legítimas formas de descrever a pessoa ideal para se amar.

A definição, no entanto, depende sobre qual forma de amor projeto essas idealizações de um ser perfeito. Todas essas características apresentadas, embora extremamente positivas e muitas vezes percebidas, são insuficientes às vezes para despertar o encontro ideal de sentidos e desatinos. Por vezes, inexplicavelmente, a ausência de todas elas pode despertar sensações avassaladoras e, de certo modo, injustificáveis. Amor, na verdade, não tem explicação e, em certos casos nobres, é incondicional.

A questão central ainda permanece: existem ou não pessoas ideais para se amar? Existe aquele ou aquela que de tão ideal é desejado por todos? Que de tão perfeito jamais esgotaria o amor? Que de tão gostoso marcaria o relacionamento com o doce sabor de um bombom trufado? Diante de tantas perguntas e com apenas um questionamento – existe ou não? –, penso que há, sim, pessoas ideais, que, de tão circunstanciais, tornam-se perfeitas para se amar.

Para o amor, na verdade, não existem pessoas “ideais” para se amar, mas simplesmente existem pessoas, e tão somente e tão apenas pessoas, mais que perfeitas para se amar. Quando amá-las, ame-as desesperadamente. E, então, como “pessoa” e como “ideal”, quando disser que me ama, prova-me que me ama com intensidade. Prova-me que ama, sobretudo, sem fim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Balela

DIAS 11
DIA DA HARMONIA

É um diplomata por excelência (COM CERTEZA). Delicado nos termos e ações (TAMBÉM), possui tato e discernimento para qualquer problema ou ocasião (UM HABILIDOSO HERÓI). É um número-mestre (AINDA NÃO), e os seus possuidores quase sempre são carinhosos, sentimentais e necessitam tremendamente de um lar para se sentirem seguros, protegidos, pois não gostam de viver sozinhos (TENHO MEDO, SIM, DA SOLIDÃO). Normalmente é exagerado em seus amores (ISSO É REFLEXO DA MINHA LUA EM CÂNCER, POIS SOL ESTÁ EM VIRGEM E ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO), pois é altamente emocional e por vezes se sente frustrado em tentar impor aos outros seus pontos de vista e padrões morais e não ser atendido (SIM, SIM, SOU AUTORITÁRIO). Parece uma contradição (SIM, SOU MATERIALISTA), e é, pois sendo o 11 compreensivo por natureza, não deveria se importar com o pensamento alheio, mas se importa (DEMAIS, EXAGERADAMENTE). Como ama a liberdade (SERÁ?), necessita estar sempre ocupado para se sentir útil e feliz. É eficiente profissionalmente e poucos o acompanham em qualquer atividade, apesar de ser mais sonhador do que realizador e, em virtude disso, deve sempre procurar orientação técnica profissional para ser bem sucedido e ser feliz. Deve, ainda, tomar muito cuidado para que o seu intelecto não sufoque sua intuição, pois sendo psíquico, não pode vacilar ante os problemas (DETESTO ERRAR, DETESTO QUEM ERRA). Pode parecer submisso (SÓ APARÊNCIA, VIU, GENTE?!), mas, na realidade, consegue tudo o que deseja pela persuasão, paciência e persistência, características que lhe são inerentes (OU SEJA, DOMINO E SOU FODA). Tem tendência à arrogância (ISSO É MENTIRA!!!) e qualquer vício lhe é prejudicial ao organismo (HIPOCONDRIA).

Ainda o tal do Rolex

O cantor e compositor Zeca Baleiro publicou artigo em Tendências/Debates da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (29) no qual expõe seu posicionamento em relação aos argumentos infantis do texto de Luciano Huck e o "romanceamento" do crime no artigo de Ferréz. Ele aproveitou também para rebater artigo de Reinaldo Azevedo, de Veja, classificando- o de 'idiota' para defender o pluralismo de idéias e para taxar a revista de 'ultra-direita' como 'fascistóide'. Zeca, espetacular, finaliza dizendo que o problema do mundo parece ser uma luta de classes sem fim. Na Folha desta quarta (31), Tom Zé publicou carta na qual apóia o músico maranhense. Amo os dois. Deu pra entender o motivo?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Aquecimento global

A história do carbono neutro é tão paliativa como peidar e borrifar Bom Ar. Pode até parecer falta de consciência, mas não é: eu quero é que o mundo derrata e, nesta hora, como a Illenia, eu quero à beira-mar tomar uma gelada à espera do próximo tsunami. Sinceridade? Cansei, assim como os enfadados da elite paulistana, do discurso sobre responsabilidade sócio-ambiental. Caso não mudemos completamente nosso modo de vida, o mundo vai, sim, se liquefazer, mesmo, de verdade. Olhemos à nossa volta e deixemos de lado esses discursos patéticos de "abasteça, e plante uma árvore", "use tal detergente, e plante uma árvore", "more aqui, e tenha uma árvore com o nome de sua família”. Vá à merda tudo isso!

Sinceridade, por favor 3

Por Illenia Negrin
Comentários de William Glauber

27) Você tem de entender que eu já quebrei a cara muitas vezes. (Azar o seu!)
28) Sofri demais em outros relacionamentos. (Infeliz, mal-amado)
29) Tenho muito carinho por você. (Aff, imbecil)
30) Eu gosto muito de você pra te ver sofrer. (Cretinice sem tamanho essa)
31) Acho que não é o momento. (Sem comentário)
32) Eu tenho medo de me envolver. (Jura?)
33) Daria tudo pra não te ver chorar. (E agora? O que eu faço?)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sinceridade, por favor 2

Por Luciele Velluto
Comentários de William Glauber

22) Acabei de sair de um relacionamento e não estou preparado para um outro. (Avisasse antes, ca-rá-le-o)
23) Eu só não quero que você fique mal. (Fico como então, seu filho da puta?)
24) Eu acho que a gente não está se entendendo. (Seu Merda)
25) Estamos em mundo completamente diferentes. (Vai pro inferno, então!)
26) Você é uma ótima pessoa. O problema é comigo mesmo. Se puder, eu quero ser seu amigo. (Amigo de cu é rola)

Vai um sunday aí?!!!

- Às vezes eu tenho a sensação de que vou ficar sozinho pra sempre, lamenta William.
- Ah, eu também sinto isso, Wi, rebate Luciele, para consolar.
- Será que a gente nunca encontrar alguém?, inconvenientemente pergunta Luciele.
- É... Pensando bem eu acho que vou tomar um sunday de chocolate, desconversa William, desconcertado.

domingo, 28 de outubro de 2007

De Illênia

"Abstenha-se apenas dos imbecis."

Sinceridade, por favor

Respostas cretinas concedidas a questionamentos inconvenientes:

1) Eu vou te ligar, sim. Pode esperar. (Espero até hoje)
2) Ah, não vai dar. Estou inseguro. (Use Sempre Livre, gente)
3) Eu preciso de um tempo para pensar. (É filosofia pura)
4) Não tenho uma vida estável. (E eu sou o herdeiro do Grupo Votorantin)
5) Minha vida está uma loucura agora. (Ah, e a minha é muito fácil)
6) Você é a pessoa certa na hora errada. (Precisamos ajustar os relógios, então)
7) Faltou química. (Embora tenha havido um bom orgasmo)
8) Você é perfeito, não merece sofrer. (Me poupou. Que bom. Só agradeço)
9) Você é um cara legal e eu não sei lidar com isso. (Aff, sem comentários)
10) O problema está comigo e não com você. (Chiclê dos clichês)
11) Existe um interruptor de liga e desliga, infelizmente desligou. (Entende de física)
12) Sou inseguro. (Gente fraca é foda)
13) Eu não sei me relacionar. (Morra, então)
14) Eu me autoboicoto à felicidade. (Coisa de gente sadomasoquista)
15) A gente se vê hoje, com certeza. (Só não vi porque sou cego)
16) Eu te desejo toda a felicidade do mundo. (É o mínimo que eu espero)
17) (O silêncio).
18) (O boicote).
19) (A infantilidade).
20) (A covardia).
21) A lista aceita colaborações...

De tudo, eu prefiro: "Sinto muito, mas não estou a fim."

Eu, em extinção...

Românticos
Vander Lee/Rita Ribeiro

Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção

Românticos são poucos,
Românticos são loucos,
Como eu
Como eu
(Como nós)

Belezura

Adoro acordar emotivo. O dia fica mais produtivo.

É simples

Para me apresentar a você, eu construí desnecessariamente inúmeros mitos que no dia-a-dia destruo-os obviamente sem perceber. Por mim, todos permaneceriam incólumes a fim de manter a impressão de que sou aquilo que penso que sou e não aquilo que realmente sou. Atordoado sem de fato saber o que sou, eu diria a você que sou forte, mas sinceramente sei que não sou. Diria também que sou imbatível, mas lamentavelmente não sou. Diria ousadamente que sou corajoso, mas jamais fui, muito menos sou.

Em parte dos mitos eu acreditei. E acreditei também ser inteligente. Acreditei ser simpático. Acreditei ser bom. Acreditei ser bonito. Acreditei ser grande. Eu diria, porque digo o que bem quiser, que sou complexo e irremediavelmente simples. E, embora inteligente, simpático, bom, bonito, grande, diria que, mesmo complexo e simples, não sei ainda que existo, seja lá como sou. Talvez você seja mais capaz de compreender minha existência do que eu próprio. Não me noto ainda.

Queria, na verdade, existir em plenitude para, além de inteligente, simpático, bom, bonito, grande, ser aquilo que sei que devo ser. Deveria e deverei ser tanto e tantas coisas. E, mesmo perdido sem saber como ser, eu ainda me apresento a você como um alguém inconveniente, passional, apaixonante, instigante, libertário, insano, revolucionário, inquieto, questionador, carinhoso, alegre e por vezes triste. Eu seria mais, muito mais, mas, por hoje e para a sua alegria, eu ainda seria encantador, a ponto de conquistá-lo. E se conquistá-lo, apesar de tantos erros e acertos, dou-me por satisfeito.

Krishma

O aniversário da Krishma neste sábado (27) no Pop's rendeu bons motivos para rir, dançar, viver. Regado à Original, foi perfeito. Momentos simples tornam-me mais feliz. Vou encontrá-los com mais freqüência.

Deixe de esperar e de buscar

Olhei-me de longe e não me reconheci. Roubaram-me a nitidez da imagem. Olhei mais uma vez e não enxerguei nada de real. Diante de um espelho enorme já não me reconhecia e cada linha do meu rosto se desfazia turvamente frente a um reflexo inexato. Perdi-me no espaço e no tempo. Não sei se vou me resgatar de um abismo chamado vida. Alguém ou algo havia levado de mim o que mais de bom sempre me guardei. Pensei ser a exatidão, mas não era. Tudo havia deixado de ser perfeito e inutilmente forcei os olhos em sensação exausta de esforço e lamento.

Não me enxergava, e isso me incomodava bastante. Pensei que o álcool ou a miopia tivesse colaborado para isso, mas não. De fato, eu estava cego. Não seria capaz, de forma alguma, de reconhecer minha própria imagem diante daquele espelho. Fiquei cego, sim, por causa da ardida e dolorosa acidez da vida. Enganei-me ao acreditar na doçura e, quando me deparei com os desgostos de um prato vasto, choquei-me com uma lamentável amargura. Daria tudo por um algo doce. Me contentaria um pirulito. Açúcar por uma noite bastaria, e melhor seria se fosse por toda a vida.

Eu quero doçura, sim. Quero calor, uma chama vibrante e incansável, que, a cada instante, deseja me incendiar. Sol e ascendente não me preenchem, quero lua. Minha lua está em água para regar todos meus sentimentos impulsivos na esperança de saciar ímpetos e conquistar a plena satisfação. Ciente da impossibilidade da completude, sinto uma ferida aberta no peito. Não sei como estancar o sangramento, não sei como conter a dor. E essa sensação de derrota e impotência dói bastante.

Dói porque busco uma conter um sentimento contínuo de vazio. Vazio oprime porque está por todos os lados. Simplesmente esvaziou uma mente repleta de idealização que, por mais singelas e belas, relutam em se concretizar. O segredo, disseram-me certa vez, seria deixar de esperar ou procurar. A princípio, pensei que tal sugestão fosse fatalista. Ora, deixaria de procurar e desistiria de procurar. E, então, o que faria? Me renderia ao acaso, ora. E se assim fizer talvez me sinta pronto para acreditar nas regras da vida e não nas minhas próprias projeções egoístas e ambiciosas.

Pensando bem, convença-me de tocar outra música, apresente-me seu repertório. Puxe uma cadeira e sente aí. Se quiser, levantamos e dance comigo. Peça um copo, e, embalado completamente, ajude-me a entender a existência substancial de forma simples e cabal. Se possível, decifra-me os caminhos da vida. Se conseguir, minha imagem no espelho, antes turva, se tornará perfeita e, assim, resgatarei o sentido para, tranqüilo, tentar mais uma vez.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Vai, sim!

"Toda vez em que o amor disser 'vem comigo', vá sem medo de se arrepender", Gal Costa em momento melodramática, com Chuva de Prata, de Ronaldo Bastos.

Não quero dinheiro

Tim Maia

Vou pedir pra você voltar
Vou pedir pra você ficar
Eu te amo!
Eu te quero bem...
Vou pedir pra você gostar
Vou pedir pra você me amar
Eu te amo!
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...

Te espero para ver
Se você vem
Não te troco nesta vida
Por ninguém
Porque eu te amo!
Eu te quero bem...
Acontece que na vida
A gente tem
Que ser feliz
Por ser amado por alguém
Porque eu te amo
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...

Hummm

Aumenta o som e apaga a luz!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pressa

Quando criança, a ansiedade consumia boa parte do tempo. Insônias, desejos, lágrimas eram provocados por uma pressa para viver. Delirava por viver intensamente e, por isso, também se angustiava à espera de algo ou alguém. Alguns momentos de ansiedade da infância eram muito tensos e até torturantes. A cada nova espera, ele sofria dos mesmos sintomas. Sentia palpitação, os olhos arregalavam-se, pés e pernas agitavam-se em ritmo frenético e as mãos gelavam e suavam continuamente. Aguardar calmamente era impossível. Não sabia ele esperar.

A ansiedade é justamente o sentimento de quem que pouco viveu muito precisa experimentar. Ele tinha pressa, por exemplo, para ver o pai chegar. Religiosamente, às 17h o ônibus da firma deixava o pai em casa após um longo dia de trabalho. Vagamente lhe disseram certa vez que o pai saía de casa às 4h30 para trabalhar, mas ele, que acordava às 9h todos os dias, não sabia muito bem que hora era aquela. Ele só sabia que no fim da tarde de todos os dias ganharia bombons, balas ou brigadeiros e um beijo.

Outras esperas também o deixavam aflito, com muita pressa. A espera pelo início de cada ano letivo era afoita para estrear os novos cadernos, usar as novas canetas, ler os novos livros. Conhecia também os novos amigos e as novas professoras. Era muita novidade.

À mesma medida em que desejava o início das aulas também espera, ansioso, claramente, o término dos semestres para o começo de cada férias. Férias, em julho ou em dezembro, eram sinônimo de liberdade. Nessa época, a ansiedade era grande. Precisava correr, e muito, para dar conta de tanta felicidade para tão pouco tempo. O primeiro desejo ao chegar ao interior era pedalar. A cada novas férias, um novo caminho se revelava. Entre um tombo e outro, um palmo de chão mais distante era superado em busca do novo.

E, ainda em busca do novo, continua ansioso. Sempre foi assim. Tem pressa para falar, tem pressa para contar, tem pressa para andar, tem pressa para ler, tem pressa para sentir, tem pressa de viver. Era ansioso pelo resultado do vestibular, pela conquista do primeiro estágio, pela luta no primeiro emprego. Foi ansioso quando do primeiro beijo, da primeira paixão, do primeiro amor, da primeira desilusão. Segue ansioso, apressado, acelerado. Segue ofegante, assim ansioso, sem parar. Seguirá até se encontrar, até te encontrar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Horário de pico

Diálogo clássico no metrô ou no trem às 18h:

Afoito cutuca impaciente: "Você pode me dar uma licencinha. Vou descer na próxima [estação]"
Impaciente irritado, sem olhar para o Afoito: "Eu também!"

Contradições

Ah, eu disse, mas agora estou desdizendo!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Alternância

A partir de agora, mudança de rumo da temática.

Qualquer resposta...

Nunca me entregue o vazio. Não me conceda o silêncio como sentença. Jamais se omita diante de mim e da verdade. Atenda seus desejos, respeite seus valores, siga seus preceitos, mas não deixe de se posicionar ou de se expressar diante de mim.

Não faça promessas tolas, e, se prometer, cumpra. Se incapaz de realizar um pedido meu, imponha-me o “não”. Se indisposto a corresponder meus anseios, desfaça todas as minhas ilusões. Feche a porta, sem bater, por favor. Revele, ao sair, palavras com sentido. Escancare, sim, suas reais intenções.

Não jogue comigo. Não arme. Não blefe. Não me chame tolo. A vida é uma só, e o bilhete de embarque é somente de ida. Não parcele a minha felicidade nem financie os meus sonhos com altas taxas de juros com prestações a perder de vista. Permita-me a realidade já e agora e para sempre. Pague bem porque tenho valor.

Se receber carta – garanto que muitos delas ainda estão para chegar –, mande-me resposta de próprio cunho. Será uma gentileza. Responda, independentemente dos sentimentos. Emita o atestado de nascimento ou de óbito. Da morte, se renasce e executar novos ciclos me possibilita prosseguir, em pé ou arrastado.

Quando eu chamar, grite. Atenda-me imediatamente e diga-me algo além de um simples ‘alô’. Se não conseguir, não vai bastar o ‘alô’. Não, mesmo. Saiba você que, da promessa, da carta, da chamada, basta-me qualquer resposta. Só não me deixe à eterna espera.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sem remédio

O dia seguiu ordinário, como de costume. Acordou tarde porque, ao esticar a noite, fechou os olhos apenas às 7h da manhã. Antes disso, porém, leu o jornal de domingo. Passeou por alguns minutos pelas páginas de economia, política e cidades. Gosta mesmo é de política porque tem parte. Deitou-se, em seguida, satisfeito com a sensação de que bem informado não teria desperdiçado aquele dia que, ao começar, já finalizou com o sono invertido. As horas claras, pois, se foram em escuro.

O sujeito comum tomou o café da manhã no horário do café da tarde. Lembrou-se naquele instante de que café da tarde tomava às 15h na casa da tia ou da avó, no interior, nas longas férias. Na época, o café da tarde marcava a pausa para o descanso entre uma brincadeira e outra que recheavam o dia. Sentava-se faminto à mesa e comia pão caseiro com margarina e bebia uma xícara de café, enquanto o suor escorria no rosto. Afoito, não via a hora de partir em disparada para a próxima aventura. É, mas naquele dia não teve café da tarde, era somente café da manhã, habitual, repetido e fora de horário.

Embora começasse curto, o dia não poderia deixar de ser. Após o café, seja da manhã ou da tarde, estabeleceu uma lista de tarefas e desejos. Fez uma ligação importante. A primeira missão foi executada com êxito, e o resultado positivo tornou-se visível na face riscada com um sorriso bobo de satisfação. Por instantes, foi feliz. Fez outras ligações menos relevantes.

Para passar o pouco do tempo que restava, assistiu à TV, deu risada das mesmas piadas prontas da semana passada, assim como faz continuamente sem se cansar da mesmice. Talvez, quando o novo surgir, o gracejo se faça velho. E riu. E, feliz, riu de si mesmo.

As horas passaram. Resolveu refletir sobre os caprichos da vida em dia nublado, abafado e comprimido. Encontrou, por sorte, uma jovem disposta ao diálogo existencialista. Conversaram por horas, sentiram dor juntos, debocharam das alegrias e das tristezas juntos, diagnosticaram as angústias de cada um juntos, mas não prescreveram nenhum medicamento para as enfermidades. Erraram.

As inquietações, sem remédio, logo sem cura, fervilharam na mente do paciente. Sem a interlocutora das aflições, buscou entender o porquê da agitação das idéias. Perguntou por que várias vezes a si mesmo e, a cada indagação, surgiu uma nova resposta, nenhuma definitiva, para o mesmo problema. O que, talvez, lhe era bom. O dia seguiu abafado, e sem sol, e já era noite. Suava e pensava. Suave, pensava, suava. E, naquele dia, pensando e suando, com respostas e sem remédio, os pensamentos tiraram-lhe uma noite de sono.

domingo, 21 de outubro de 2007

Nova versão

Aos três anos de idade, seria cantor não fosse hoje a inabilidade com a voz. Aos cinco anos, seria motorista de ônibus não fosse hoje a impaciência com trânsito. Aos sete, seria arquiteto não fosse hoje a dificuldade em firmar a régua e o compasso sobre o papel. Aos nove, seria promotor de Justiça não fosse hoje a impaciência com o conservadorismo. Aos onze, seria professor de português para ensinar sintaxe não fosse hoje a preferência pela dinâmica da língua. Aos treze, já era o que é, embora ainda não saiba o que vai ser.

Traçaram-se planos, um atrás do outro, bem seqüenciados. Muitos deles eram sonhos, talvez exeqüíveis. Outros, devaneios. Boa parte realizou. Boa parte frustrou. Diante das vitórias e derrotas, optou por seguir sempre, sabendo que perderá, mas ganhará também porque é forte. Não sente medo, mas receio. Sabe ser feliz e, se necessário ou inevitável, sabe ser triste. Prefere, no entanto, a realidade, com os momentos de euforia e disforia, assim como se estrutura o cotidiano.

Hoje apenas é. Por ora, sabe que é incoerente, teimoso, contraditório, intransigente, mimado, fraco, ansioso. Sabe também que é amigo, leal, sincero, bondoso, flexível, simples, íntegro. É menino, é homem. É revolucionário, é conservador. É quente, é frio. É crente, é cético. É torto, é direito. É prosa, e às vezes, poesia. É flor, é espinho. É esquerda, e é plural. Hoje apenas é, apenas será. E um dia, ou em breve, consciente das espirais contínuas, poderá deixar de ser. E assim se faz.

sábado, 20 de outubro de 2007

Em resumo, é simples

Quando se quer, se busca. Quando se busca, se acha. E, se se encontram, chegam à felicidade.

Uma tal aí

Procurou, procura e vai procurar, mas não encontrou a felicidade, por enquanto. Talvez não seja cedo nem tarde para isso. Na verdade, tem muitas dúvidas se, de fato, vai encontrá-la. Mas, caso a encontre e sendo ela boa, vai cultivá-la. Quando perdê-la, por capricho da sorte ou maldade do azar, vai caçá-la novamente até nos confins da terra por que é vencedor. Se ela for feroz, vai domesticá-la e, estando aprisionada, vai forçá-la à satisfação de todos os desejos, os bons ou os ruins.

Por causa de uma ausência doída e também desconhecida, não sabe muito bem o que a palavra felicidade significa. E saciar-se de sentido pleno é substancial. Enquanto a fome persiste, preferiu apenas nomeá-la conforme as expectativas.

Arriscou-se, portanto, à frustração. Por isso, arquivou os sentidos no dicionário e enriqueceu o vocabulário. Lançou-se ao mundo da imaginação, das possibilidades. Fazê-la saltar das idéias compartimentadas para o mundo concreto do caos constitui-se uma meta. Acredita cumpri-la ainda nesta vida.

Disseram-lhe, há muito tempo, que a felicidade é tão somente um sentimento. Outros ensinaram a classificá-la como um estado de espírito, logo efêmero. Alguns, mais pessimistas, quem sabe não o sejam, afirmaram ser só uma ilusão do bem. Concepções maniqueístas demais para um conjunto de sensações tão complexas.

Ora, talvez seja ela a utopia. Desde pequeno, empiricamente, aprendeu que a utopia está nos planos idealizados e, em questão de tempo, ela há de desperta para a realidade. Bem, se é assim, basta esperar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Gargalos do desenvolvimento

William Glauber diz:
a fila anda!
Amiga de Trabalho diz:
ah, a fila andaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Amiga de Trabalho diz:
rápido pra caramba.
William Glauber diz:
certo, faz muito bem.
Amiga de Trabalho diz:
rsrsrs.
William Glauber diz:
Agora, com bilhete único não tem mais essa de embaçar na catraca.

sábado, 6 de outubro de 2007

Eu me lembro deste dia!

http://br.youtube.com/watch?v=S0yY-NGjtsI

Escrito nas Estrelas
Tetê Espíndola

Você pra mim foi um sol
De uma noite sem fim
Que ascendeu o que sou
E renasceu tudo em mim

Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira seu bem
E só morrer de prazer

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
Meu amor, esse amor de cartas claras
Sobre a mesa é assim

Signo destino que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas
Tava sim

Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim

Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
Meu amor nosso amor de cartas claras
Sobre a mesa é assim

Signo destino que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estelas
Tava sim

-*-

Eu me lembro deste dia. Festival de música nos anos 80. Sim, são as lembranças de minha primeira infância. Essa música grudou e fez Tetê rainha. Impagável é o macacãozinho de barbante desfiado da intérprete.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Depende, né, gente!

O Diário do Grande ABC desta quarta-feira (3) traz reportagem com o prefeito de São Bernardo do Campo, William Dib (PSB), para rebater as críticas do ministro da Previdência Social e pré-candidato ao Executivo local, Luiz Marinho (PT). O metalúrgico disse que, ao vender o terreno para a construção do segundo campus da UFABC (Universidade Federal do ABC) à União por R$ 50 milhões, faltava "visão de futuro" ao atual prefeito.

Em contrapartida, o prefeito da maior cidade do ABC Paulista disse que não pode doar algo que não é seu. Ao Diário, ele afirmou que a população não pode abrir mão de R$ 50 milhões. “Se a Universidade Federal precisa da área, que pague”, rebateu.

Dib acrescentou que os cofres públicos da cidade deixarão de arrecadar R$ 20 milhões por ano em IPTU, como se a renúncia pudesse prejudicar um dos maiores orçamentos do País. Além de abdicar do imposto, o prefeito de São Bernardo do Campo disse que a gestão municipal está “fazendo um grande gesto, que é deixar eles [o governo federal] comprarem [a área]”.

Para legitimar a argumentação de que a negociação foi positiva para a cidade, Dib lembrou que ofereceu, como doação, área de 780 mil m² à beira da Rodovia Índio Tibiriçá (isso mesmo, lá na Serra do Mar). “Era o que nós poderíamos. Além disso, foi o reitor da UFABC, Luiz Bevilacqua, que escolheu aquele terreno. Portanto, não me neguei a doar”, disse.

Certamente, faltou ao repórter, ou talvez sobrou à edição, a informação sobre qual a diferença entre o patrimônio municipal. Por que o terreno de 780 mil m² em área preservada e às margens da Represa Billings (e longe da especulação imobiliária) pode ser doado? E por que o terreno no Parque Anchieta, em uma da área central e nobre da cidade tem de ser vendido? Não consigo compreender a lógica da justificativa do prefeito William Dib.

Faltou, sim, perguntar ao prefeito, desculpe-me o atrevimento, por que a área para lá do Riacho Grande é passível de doação, mesmo não sendo dele, conforme argumentou para estabelecer a venda do terreno atrás do Ginásio Poliesportivo à União. Perguntei demais?

Provincianismo

Ainda segundo o Diário, a crítica do ministro Luiz Marinho que classificou de “grande bobagem” o fato de o prefeito alegar que não haveria alunos de São Bernardo foi rebatida por Dib. “Tenho certeza de que nos vestibulares passarão (sic) gente não apenas de São Bernardo, mas de todo o Brasil e até da América Latina”, disse o prefeito.

Ora, é assim em Campinas, com Unicamp, em Ribeirão Preto, com USP, em São Carlos, com UFSCar, e em Botucatu, com Unesp. Oxalá seja assim no ABC e, assim, a região deixará de ser, com 2,5 milhões de pessoas, uma Grande Província.

sábado, 29 de setembro de 2007

Onde estão elas?

Abro os olhos, não as vejo e, aflito, pergunto onde coloquei cada uma delas. Na verdade, não enxergo nenhuma, não enxergo nada. Deixei todas escapar e, inutilmente, tentei agarrá-las no ar, embora desconfie de que, por enquanto, não estão mais por aqui. Inconformado com as ausências de cada uma, simples ou complexa, que sempre foram presenças por todos os lados, lanço as mãos para o alto e aperto os dedos com força na expectativa de recuperá-las e domá-las. No entanto, qualquer gesto torna-se vão. E agora? Como faço?

Confesso que estou desesperado. Sem elas não consigo viver, não mesmo. E, como estou sem elas, apenas sigo um passo atrás do outro. Elas trazem barulho, musicam a trajetória e, por isso, danço. A cada bailada, mais ou menos suave, giro em torno de mim mesmo e, assim, conduzo a vida, como uma dama, em movimentos harmoniosos. Hoje, os passos são arrastados, porque se fazem pesados. Um dia volto a flanar neste salão.

O silêncio hoje incomoda porque, acostumado com os choques entre elas que forneciam significados renovados e vigorosos, sinto-me abandonado na inquietação dos sentidos. Preciso de todas as notas a azucrinar ouvidos, mentes e bocas. Censurei? Expulsei? Maltratei? Sou culpado? Devo ser, sim. Magoadas ou desapontadas, elas não gritam mais comigo e, quando gritavam, despertavam-se para a realidade. E isso era bom.

Não adianta lamentar. Elas se foram e logo, logo voltarão. (Será?). Elas precisam voltar, sim, principalmente porque sabem que são indispensáveis. A aglutinação de todas nos pensamentos ou jogadas no papel tornam-me rico. Sem vocação para certos votos, não permanecerei na castidade por muito tempo, quero minha fartura de volta. Preciso delas para me corromper e me preservar. Palavras, por favor, voltem pra mim.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ídolo

"Qual classe média? A finada, porque você tem de entender que existe a decadente e a emergente. E esse pessoal ouve os Racionais porque precisa se saber o que pensa o porteiro, a cozinheira, o filho da cozinheiro", Mano Brown, em entrevista ao Roda Vida, da TV Cultura.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Esse sou...

Chega tarde, dorme tarde, acorda tarde. Criou o tempo e, em labirinto traçado pela vida, perdeu-se em infinito sem hora, por enquanto, para chegar. Hoje, embora aparentemente determinado, não sabe ainda aonde vai nem de onde veio. Há quem diga que é forte, mas sabe que vacila. Prefere acreditar na destreza das ações, mas continua inábil à felicidade plena, que piamente acredita encontrar nas minúcias dos gestos, jamais na grandeza do poder. E ainda não encontrou certeza alguma.

Em busca de sentido, atola-se em dúvidas. Titubeia na composição de cores primárias ou neutras, na escolha de símbolos, no resultado de combinações simples e corriqueiras. Pergunta-se, com dúvida, se deve prosseguir com elas. E, mesmo em dúvida, opta pela incerteza até o último suspiro. Duvida de si, duvida de Deus, duvida dos pais, duvida dos amigos, duvida dos ideais, duvida das paixões, duvida da vida. Põe em xeque à própria existência para se certificar de cá está. Mesmo com tantas perguntas, permanece sem respostas.

E, sem respostas, frustra-se com desejos abortados e às vezes se esquece que já abortou desejos de demais. Sabe que é egoísta e, por isso, tortura-se, entristece e lamenta-se. Por vezes, tem comportamentos repugnantes. Insistentemente na reprovação, deseja também a banalidade e, quando se dá conta das ambições medíocres, lava a face com água gelada para, na verdade, despertar de pesadelo. Chora, chorou e sempre vai chorar quando sentir vergonha, medo e dó de si mesmo.

De tanto querer, boa parte conquistou, tem. Sabe que vai conquistar muito mais e que vai perder também. Na derrota, ao juntar os pequenos pedaços, sempre encontrou motivo para retomar rumos. De tudo, apenas se pergunta se basta apenas buscar. Sente-se cansado das metas mesquinhas e, de tal forma, persiste em encontrar as razões nobres. Elas estão projetadas em rascunhos a lápis, em folha de papel branca, sabe que resta executá-las, cedo ou tarde.

Em letra cursiva

Iniciada a temporada dos rabiscos.